terça-feira, 7 de janeiro de 2014

2014 - CENTENÁRIO DE Dorival Caymmi

Dorival Caymmi

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Dorival Caymmi
Dorival Caymmi em 1938.
Informação geral
Nome completo Dorival Caymmi
Nascimento 30 de abril de 1914
Salvador, Bahia
 Brasil
Data de morte 16 de agosto de 2008 (94 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade brasileira
Gênero(s) Samba, bossa nova
Ocupação(ões) compositor
Instrumento(s) Vocal, violão
Período em atividade 19342008
Outras ocupações poeta, pintor e ator
Gravadora(s) Odeon
Columbia
Continental
RCA Victor
Elenco
Phonogram
Funarte
Som Livre
Universal
EMI
Afiliação(ões) Dori Caymmi
Danilo Caymmi
Nana Caymmi
Dorival Caymmi (Salvador, 30 de abril de 1914Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008) foi um cantor, compositor, violonista, pintor e ator brasileiro.
Compôs inspirado pelos hábitos, costumes e as tradições do povo baiano.1 Tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica. Morreu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos, em casa, às seis horas da manhã, por conta de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em consequência de um câncer renal que possuía havia 9 anos.2 Permanecia em internação domiciliar desde dezembro de 2007. Poeta popular, compôs obras como Saudade de Bahia, Samba da minha Terra, Doralice, Marina, Modinha para Gabriela, Maracangalha, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem, Rosa Morena.
Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Soares Caymmi, era casado com Adelaide Tostes, a cantora Stella Maris. Todos os seus três filhos são também cantores: Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Nana Caymmi.1

Biografia

Caymmi era descendente de italianos pelo lado paterno, as gerações da Bahia começaram com o seu bisavô, que chegou ao Brasil para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda3 e cujo nome era grafado Caimmi. Ainda criança, iniciou sua atividade como músico, ouvindo parentes ao piano. Seu pai era funcionário público e músico amador, tocava, além de piano, violão e bandolim. A mãe, dona de casa, mestiça de portugueses e africanos, cantava apenas no lar. Ouvindo o fonógrafo e depois a vitrola, cresceu sua vontade de compor. Cantava, ainda menino, em um coro de igreja, como baixo-cantante. Com treze anos, interrompe os estudos e começa a trabalhar em uma redação de jornal O Imparcial, como auxiliar. Com o fechamento do jornal, em 1929, torna-se vendedor de bebidas.3 Em 1930 escreveu sua primeira música: 'No Sertão", e aos vinte anos estreou como cantor e violonista em programas da Rádio Clube da Bahia. Já em 1935, passou a apresentar o musical Caymmi e Suas Canções Praieiras. Com 22 anos, venceu, como compositor, o concurso de músicas de carnaval com o samba A Bahia também dá.3 Gilberto Martins, um diretor da Rádio Clube da Bahia, o incentiva a seguir uma carreira no sul do país. Em abril de 1938, aos 23 anos, Dorival, viaja de ita (navio que cruza o norte até o sul do Brasil) para cidade do Rio de Janeiro, para conseguir um emprego como jornalista e realizar o curso preparatório de Direito.3 Com a ajuda de parentes e amigos, fez alguns pequenos trabalhos na imprensa, exercendo a profissão em O Jornal, do grupo Diários Associados, ainda assim, continuava a compor e a cantar. Conheceu, nessa época, Carlos Lacerda e Samuel Wainer.3
Foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi, e, em 24 de junho de 1938, estreou na rádio cantando duas composições, embora ainda sem contrato. Saiu-se bem como calouro e iniciou a cantar dois dias por semana, além de participar do programa Dragão da Rua Larga. Neste programa, interpretou O Que é Que a Baiana Tem, composta em 1938. Com a canção, fez com que Carmen Miranda tivesse uma carreira no exterior, a partir do filme Banana da Terra, de 1938. Sua obra invoca principalmente a tragédia de negros e pescadores da Bahia: O Mar, História de Pescadores, É Doce Morrer no Mar, A Jangada Voltou Só, Canoeiro, Pescaria, entre outras.1 Filho de santo de Mãe Menininha do Gantois, para quem escreveu em 1972 a canção em sua homenagem: "Oração de Mãe Menininha", gravado por grandes nomes como Gal Costa e Maria Bethânia.

Obra

Cquote1.svg O Dorival é um gênio. Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi. Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor. Cquote2.svg
Nas composições de Caymmi (Maracangalha, 1956; Saudade de Bahia, 1957), a Bahia surge como um local exótico com um discurso típico que estabelecera-se nas primeiras décadas do século XX, com referências à cultura africana, à comida, às danças, à roupa, e, principalmente à religião.

Antecedentes

Com a Primeira Guerra Mundial, um lundu de autoria anônima, com o nome de "A Farofa",5 trata não tão somente do conflito como também de dendê e vatapá, na canção "O Vatapá".6 O compositor José Luís de Moraes, alcunhado Caninha, utilizou, ainda em 1921, o vocábulo balangandã, no samba "Quem vem atrás fecha a porta".7 A culinária baiana foi consagrada no maxixe "Cristo nasceu na Bahia",7 lançado em 1926. No final da década de 1920, associa à Bahia a mulher que ginga, rebola, requebra, remexe e mexe as cadeiras quando está sambando, o que surpreende na linguística, visto que o autor não era nativo do Brasil.

Sucesso

O primeiro grande sucesso O que é que a baiana tem? cantada por Carmen Miranda em 1939 não só marca o começo da carreira internacional da Pequena Notável vestida de baiana, mas influenciou também a música popular dentro do Brasil, tornou-se conhecida a ponto de ser imitada e parodiada, como no choro "O que é que tem a baiana" de Pedro Caetano e Joel de Almeida ou na canção "A baiana diz que tem" de Raul Torres. Apesar das produções anteriores, as composições de Caymmi são as mais lembradas sobre a cultura baiana.8
Cquote1.svg …escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70. Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não. Cquote2.svg

Referências

  1. Ir para: a b c "Biografia", Netsaber, BR
  2. Ir para cima "Dorival Caymmi morre aos 94 anos no Rio", G1, Globo
  3. Ir para: a b c d e Revista Época: Dorival Caymmi, o mais baiano dos grandes nomes da Música Popular Brasileira
  4. Ir para cima "Depoimento", 70 anos de nascimento de Caymmi, faixa nove, disco um
  5. Ir para cima Lisboa 1998, p. 27.
  6. Ir para cima Lisboa 1998, pp. 29-30.
  7. Ir para: a b de Moraes 1998, pp. 36-37.
  8. Ir para cima Laferl, Christopher F, O clicê da terra, Áustria: Universidade de Viena
  9. Ir para cima "Entrevista", Expresso (Lisboa), anos 1990

Bibliografia

  • Lisboa, Luiz Américo, Júnior (1998) [1990], A presença da Bahia na música popular brasileira, Musimed.
  • de Moraes, José Luís (1998) [1990], "Quem vem atrás fecha", in Lisboa, Luiz Américo, Júnior, A presença da Bahia na música popular brasileira, Musimed.

  1. Vida de Negro
  2. Modinha para Gabriela
  3. Suíte do Pescador
  4. Caminhos Do Mar (rainha Do Mar)
  5. Milagre
  6. Marina
  7. São Salvador
  8. Festa de Rua
  9. João Valentão
  10. Sábado em Copacabana
  11. Alegre Menina
  12. Dois de Fevereiro
  13. Dora
  14. O Cantador
  15. Acalanto
  16. O vento
  17. Sodade Matadeira
  18. Das Rosas
  19. Nem Eu
  20. Desafio
  21. Desenredo
  22. Eu Não Tenho Onde Morar
  23. A Lenda do Abaeté
  24. Fiz uma viagem
  25. Nunca mais
  26. Quem vem pra beira do mar
  27. Vamos Falar De Tereza
  28. Eu Cheguei Lá
  29. Rainha do Mar
  30. Navio Negreiro
  31. Noite de Temporal
  32. Sargaço Mar
  33. Doralice
  34. Morena do Mar
  35. Canção da Partida
  36. Na Ribeira Desse Rio
  37. Só Louco
  38. Você Nao Sabe Amar
  39. 365 Igrejas
  40. Maricotinha
  41. Versos escritos n'água
  42. Um Vestido De Bolero
  1. Temporal
  2. Na baixa do sapateiro
  3. Modinha para Teresa Batista
  4. História Pro Sinhozinho
  5. Canto do Obá
  6. Guararapes
  7. Coqueiro de Itapoã
  8. A Vizinha do Lado
  9. Afoxé
  10. De Onde Vens
  11. Na Cancela
  12. Adeus
  13. Acontece Que Eu Sou Baiano
  14. Pescaria
  15. Saudades de Itapoã
  16. Lá Vem A Baiana
  17. No Tabuleiro Da Baiana
  18. Vatapá
  19. Tão Só
  20. Oração de Mãe Menininha
  21. Santa Clara Clareou
  22. A Preta do Acarajé
  23. Promessa de Pescador
  24. Aruanda
  25. Tu
  26. Acaça
  27. Andança
  28. A Jangada Voltou Só
  29. Horas
  30. Peguei um Ita no Norte
  31. Requebre que Eu Dou um Doce
  32. Adeus da Esposa
  33. Severo do Pão
  34. Velório
  35. Retirantes
  36. Balada do rei das sereias
  37. O dengo que a nega tem
  38. Adalgisa
  39. Tia Nastácia
  40. Desde Ontem
  41. Roda Pião
  42. Francisca Santos das Flores
  43. Trezentas E Sessenta E Cinco Igrejas
  44. Saudade
  45. Cantiga da Noiva
  46. Modinha Pra Gabriela
  47. O Samba da Minha Terra
  48. Suite Dos Pescadores
  49. Tristeza de Nós Dois
  50. Sereia
  51. Cantiga
  52. Paratodos

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