quinta-feira, 18 de outubro de 2012

INFRAESTRUTURA - CEARÁ

Infraestrutura

Ciência e tecnologia

Imagem aérea de Sobral com vista para a Igreja do Patrocínio e o Museu do Eclipse, importante museu científico do Ceará.
O Ceará mantém a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico como principal instituição de fomento científico e tecnológico do estado.[145] Fazem parte ainda do sistema de C&T do Ceará a Fundação Cearense de Meteorologia, a Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará e as universidades estaduais. O Governo federal tem duas unidades da Embrapa no estado: Embrapa Agroindústria Tropical em Fortaleza e Embrapa Caprinos em Sobral. Instituições privadas de destaque são o Instituto Atlântico e o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação.
O principal espaço de desenvolvimento científico do estado é o Campus do Pici, em Fortaleza, abrigando boa parte dos laboratórios da Universidade Federal do Ceará e outras instituições como o Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho no Nordeste e a sede da rede GigaFOR e vários cursos de pós-graduação. Em todo o estado são ofertados 108 cursos de pós-graduação sendo 69 de mestrado e 29 de doutorado.[146]
O Ceará tem destaque na história e na pesquisa astronômica do Brasil. O Rádio-Observatório Espacial do Nordeste do INPE instalado em Eusébio é o maior radiotelescópio do Brasil. A Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia (SBAA), com sede em Fortaleza, é uma das principais instituições divulgadoras da astronomia no país.[147]
Esqueleto do Anhanguera no "North American Museum of Ancient Life".
Em 2009, Ano Internacional da Astronomia, o Ceará passou e integrar a Rede Internacional de Centros para Astrofísica Relativística (Icranet). Essa integração visa orientar os cursos de graduação em física das universidades UVA e UECE, respectivamente em Sobral e Fortaleza, para estudos nas áreas de astrofísica, astronomia e criar um programa de pós-graduação específico na UECE.[148]
O primeiro registro de fósseis no Brasil se deu com o livro "Viagem pelo Brasil" (Reise in Brasilien), publicado entre 1823 e 1831, relatando a descoberta de um peixe Rhacolepis na atual cidade de Jardim.[149] A bacia sedimentar da Chapada do Araripe conta com uma formação muito rica em fósseis da flora e fauna do Cretáceo, boa parte em excelente estado de preservação, sobretudo na cidade de Santana do Cariri.[150] Os fósseis da região tem sido importantes para comprovar a deriva dos continentes africano e sul-americano.[151]
Nessa área foi estabelecido o Geoparque Araripe, o primeiro do gênero no Hemisfério Sul, visando a proteger sua significativa importância geológica e paleontológica.[151] O trecho mais importante do geoparque é a Formação Santana, que se destaca por conter os primeiros registros de tecidos moles (não ósseos) de pterossauros e tiranossauros do mundo, as primeiras fanerógamas fósseis da América do Sul e várias espécies de peixes fossilizados.[149] Na cidade de Santana do Cariri existe o Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri que ajuda no estudo e divulgação científica paleontológica.

Educação

A primeira instituição de ensino do Ceará foi o Liceu do Ceará fundado em 1845 em Fortaleza.[152] Fortaleza concentra o maior número de escolas particulares do estado. O Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará, transformado em Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, que comanda as unidades de ensino técnico em várias cidades do interior do estado e o Colégio Militar de Fortaleza são importantes unidades de ensino federal no estado..[153]
Imagem da Biblioteca pública de Sobral.
No Ceará a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2007 foi de 19,2% e de analfabetos funcionais foi de 30,7%, valores acima da média nacional. A média de estudo dos cearenses acima de 10 anos é de 5,9 anos, acima da média nordestina, mas bem abaixo da nacional, e a grande disparidade entre a capital e o interior fica clara, com a Região Metropolitana de Fortaleza obtendo média muito superior, de 7,2 anos.
Dados de 2008 demonstram que as gerações mais antigas sofreram com o escasso acesso à educação comparado aos jovens: a média de anos de estudo chega a 8,9 anos na faixa de 20-24 anos, mas cai abruptamente para só 2,8 anos na faixa de 60 anos ou mais de idade.[4] Quanto ao índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB), o Estado obteve em 2009 as melhoras notas da Região Nordeste em todas as categorias: para alunos da 4ª e 5ª séries do ensino fundamental, 4,4 (11ª mais alta no ranking nacional), seguida por Pernambuco (4,1); para os da 8ª e 9ª séries, a nota 3,9 (10ª melhor do País), seguida por Piauí (3,8); e para os do 3º ano do ensino médio, 3,6 (8ª melhor), seguida por Paraíba (3,4).[154]
Resultados no ENEM
Ano Português Redação
2006[155]
Média
34,74 (12º)
36,90
51,59 (10º)
52,08
2007[156]
Média
46,73 (15º)
51,52
55,10 (14º)
55,99
2008[157]
Média
38,13 (13º)
41,69
59,15 (9º)
59,35
A rede de ensino do estado no ano de 2007 era composta por 17.234 escolas sendo 7.668 pré-escolares, 8.773 de ensino fundamental e 793 de ensino médio.[158] Estas escolas receberam 2.290.213 matriculas sendo 261.030 no pré-escolar, 1.624.943 no fundamental e 404.240 no ensino médio.[158] Servindo a rede havia 92.636 docentes sendo 12.988 no pré-escolar, 63.651 no fundamental e 15.997 no ensino médio.[158]
Em 2005 o Ceará abrigava 47 instituições de ensino superior com 6.797 docentes e 99.597 alunos matriculados.[158] A Universidade Federal do Ceará foi a primeira do estado, fundada em 1954.[159] Atualmente existem além da UFC, mais 4 universidades: Universidade Estadual do Ceará, Universidade Regional do Cariri e Universidade Estadual Vale do Acaraú mantidas pelo governo do estado e a Universidade de Fortaleza particular. Futuramente é prevista a criação da Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira na cidade de Redenção.

Energia

O estado era, até o final do século XX, totalmente desprovido de grandes unidades geradoras de energia.[160] Na década de 2000 estão sendo feito investimentos pesados na geração de energia eólica com a possibilidade de o Ceará gerar toda sua demanda energética em seu próprio solo.[161]
Atualmente a maior parte da demanda de energia elétrica é suprida pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco[160] por meio da geração nas usina hidrelétrica de Paulo Afonso, Xingó, Sobradinho e Moxotó. O Ceará também é servido pela energia gerada na Usina Hidrelétrica de Tucuruí no Pará.
A Companhia Energética do Ceará é a empresa responsável pela distribuição da energia no estado. O consumo médio do estado gira em torno de 650 gigawatts por mês.[162] Em 2007 99,3% dos domicílios urbanos e 90,4% dos domicílios rurais eram servidos pela rede de distribuição elétrica, contabilizando 2.688.746 clientes.[163]
O estado é o maior produtor de energia eólica do país,[164] além de possuir a melhor produção mundial.[165]

Mídia

Os jornais foram a primeira mídia de massa do estado. O primeiro jornal cearense foi o Diário Oficial publicado em 1825. No final do século XIX havia centenas de jornais e publicações periódicas em todo o território, com mensagens de cunho político e social. Em 1881 chegaram à costa cearense os cabos submarinos da The Western Telegraph Company interligando o Brasil a Europa por meio telegráfico.[166] Estes cabos foram interligados aos já existentes no Ceará e dai para o resto do país.
A primeira estação de rádio surgiu na década de 1930. Era uma entidade de rádio amador chamada de Ceará Rádio Clube.[167] Em 1959 entrou no ar a TV Ceará Tupi, primeiro canal de televisão do Ceará. Em 31 de março de 1972 chegou a vez da tv a cores no estado e em 2009 teve início a transmissão do sinal de televisão digital. Atualmente o sistema de rádio e televisão conta com 143 emissoras de rádio e 13 de televisão.[163] Os principais jornais do estado são: O Povo, Diário do Nordeste e O Estado.
A telefonia iniciou-se no Ceará, primeiro em Fortaleza, em 1891 com a fundação da empresa telefônica do Ceará. Em 1938 o serviço passou a ser automático com a instalção de equipamentos da Ericsson do Brasil. A Companhia Telefônica do Ceará surgiu em 1971 e foi privatizada em 1998. Atualmente existem 2.490.224 linhas telefônicas no estado.[163]

Saúde

Durante o século XIX somente oitenta cearenses foram diplomados pelas duas faculdades de medicina existentes no Brasil.[168] Desses, somente trinta voltaram para o Ceará. Em 1861 ficou pronto o primeiro hospital do estado, Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, que foi o foco de combate à várias pestes que assolaram o estado: varíola, febre amarela e cólera na década anterior.[168] Nos primeiros anos do século XX foi fundada a primeira entidade médica do Ceará, Associação Médica Cearense, em 1913. Em 1925 iniciou-se as atividades da Santa Casa de Misericórdia de Sobral, sendo até hoje o maior hospital do interior cearense. Durante toda a década de 1930 houve um surto de malária no estado.
Os principais hospitais públicos do estado estão concentrados na Capital. Atualmente o sistema de saúde pública cearense é composto por hospitais municipais e estaduais, totalizando 164 unidades hospitalares com internação e 2.198 sem internação.[169] O Hospital Geral de Fortaleza é o maior hospital público. O Instituto Doutor José Frota é o maior hospital de emergência. Dois hospitais de grande porte serão construídos durante o atual governo do estado nas regiões do Cariri e Sobral para diminuir a superlotação do sistema de saúde cearense.[170] O sistema também é composto por centenas de postos de saúde e centenas de equipes do Programa de Saúde da Família em quase todos os municípios. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência está sendo implantado em todas as regiões do Ceará. O atendimento médico privado é bastante desenvolvido com um total de 127 hospitais, destacando-se os hospitais São Mateus, Antônio Prudente, Unimed, Monte Klinikum.[169]
Há grande disparidade no acesso a médicos e a leitos hospitalares. Os municípios com mais médicos por mil habitantes são Barbalha (3,6 por mil), Guaramiranga (2,6) e Aracoiaba (2,3) — Fortaleza é a 9ª com mais médicos em termos proporcionais (1,5 por mil) —, enquanto os que possuem menos são Varjota, Granja e Pires Ferreira, todos com apenas 0,2 médico por mil. Barbalha também se destaca como a cidade com mais leitos por mil habitantes (8,1), seguida por Brejo Santo (6,0), Jati (5,9) e Crato (5,4), enquanto as que apresentam menos leitos possuem índices muito menores: Forquilha (0,1), Pacatuba (0,3) e Beberibe (0,5).[101]

Segurança pública

O Governo do Ceará, desde o início da década de 1990, realiza ações para integração das forças policiais: militar, civil e bombeiro. A primeira ação foi a reformulação do sistema de chamadas 190 que passou a funcionar integrado com o nome de CIOPS - Centro Integrado de Operações de Segurança - e que na Capital do estado integra também o sistema municipal de controle de tráfego e Guarda Municipal. O mais recente passo na integração das forças policiais do estado foi a criação da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará que formará conjuntamente o pessoal de todas as forças de segurança.[171]
A Polícia Militar do Ceará tem um contingente de aproximadamente 13 mil policiais[172] divididos em sete batalhões, um batalhão de choque, um batalhão de segurança patrimonial, um esquadrão de polícia montada, uma companhia de polícia rodoviária, um centro integrado de operações aéreas, uma companhia de polícia do meio ambiente, um pelotão de motos e a unidade de polícia de turismo. O efetivo da Polícia Civil é de aproximadamente 2.200[173] policiais distribuídos em 34 distritos policiais, oito delegacias metropolitanas, 19 delegacias regionais, 23 delegacias municipais e 18 delegacias especializadas. O Corpo de Bombeiros Militares é composto pelo efetivos de aproximadamente 1.400 bombeiros[174] distribuídos em 5 grupamentos, um em Fortaleza com 11 seções de comando e os outros quatro no interior subordinando 13 seções.
A criminalidade é um problema crescente no estado. A taxa de homicídio foi de 24,0 por 100 mil habitantes em 2008, um expressivo aumento de 79,1% comparado à taxa de 13,4 por 100 mil em 1998. Em função do aumento ainda maior do número de assassinatos em outras Unidades Federativas, o Ceará possui a 18ª maior taxa de homicídios do Brasil, enquanto, em 1998, estava na 17ª posição. Por sua vez, Fortaleza, com 35,9 homicídios por cem mil habitantes, passou do 20ª para o 17ª lugar entre as capitais mais violentas do País, porém continua bastante abaixo da média das capitais do Nordeste.[175] O Ceará possui 7 de seus 184 municípios entre os 500 com maiores taxas de homicídio do Brasil.[176]
Em 2007, foi implantado em Fortaleza o Ronda do Quarteirão, programa de segurança pública do Governo do estado que tem por objetivo diminuir o tempo de resposta a ocorrências policiais. Em 2008, o programa foi expandido para Caucaia e Maracanaú e, em seguida, para vários municípios interioranos. Neste mesmo ano foi criada a polícia científica do estado, Perícia Forense do Estado do Ceará que atuará em sua área de forma autônoma e desvinculada de outras forças policiais. Apesar dos esforços, o combate à violência não tem surtido efeito somente com ações policiais, e a criminalidade ainda é crescente.[177] Somente entre 2008 e 2009, houve um alarmante aumento da taxa total de roubos, que mais que triplicou de 219,8 para 772,0 por 100 mil habitantes, bem como um aumento do número de estupros (de 6,9 para 7,8 por 100 mil). A taxa de homicídios cresce, lenta mas preocupantemente, de 22,2 para 22,5 por 100 mil entre 2008 e 2009.[178]

Transporte

Mapa dos transportes do Ceará.
No Ceará existem dois aeroportos administrados pela Infraero. O Aeroporto Internacional de Fortaleza é o maior do estado movimentando anualmente mais de 5 milhões de passageiros[179] e o Aeroporto Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, é o maior do interior do estado e o mais movimentado do interior do Nordeste.[180] O Governo do Ceará tem cadastrado 68 aeroportos e pista de pousos. O Aeroporto de Aracati no litoral leste, o Aeroporto de Camocim no litoral oeste, o Aeroporto de São Benedito na Serra da Ibiapaba e o Aeroporto de Quixadá no sertão cearense destacam-se por dar acesso a regiões turísticas. Outros aeroportos regionais de destaque são o Aeroporto de Sobral e o Aeroporto de Iguatu.
O sistema ferroviário do estado é operado em conjunto com a malha do Nordeste pela empresa Transnordestina Logística S.A, que está construindo a ferrovia Transnordestina. O estado é cortado por 1.431 km de caminhos de ferro interligando o estado de norte a sul e de leste a oeste entre a capital e o interior.[181] Ainda no transporte ferroviário existem dois sistemas de metrô em construção. O Metrofor é o metrô de Fortaleza interligando vários bairros da cidade e também as cidades de Maracanaú e Caucaia e o Metrô do Cariri que interligará as cidades do Crato e Juazeiro do Norte.
Ao longo dos 570 km de litoral do Ceará estão instalados 13 faróis em pontos estratégicos para auxiliar a navegação de cabotagem, sendo controlados pela Capitania dos Portos do Ceará.[182] Os principais portos do estado são: o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, que é administrado pelo governo federal e o Terminal Portuário do Pecém, inaugurado em 2002, construído para estruturar o Complexo Industrial e Portuário do Pecém com planejamento de terminal para uso siderúrgico e de refinaria de petróleo.
Em Fortaleza tem início a rodovia federal mais importante do Brasil, a BR-116, que liga a capital do Ceará às regiões Sudeste e Sul do país até o Rio Grande do Sul. Em Fortaleza também tem início a BR-222 que faz ligação com a região Norte indo até o Pará. A BR-020 faz a ligação de Brasília com Fortaleza. A rodovia BR-230 Transamazônica corta o estado na região sul e a BR-304 liga o Ceará ao Rio Grande do Norte. As rodovias estaduais somam um total de 10.657,9 km, sendo 5.767,6 km pavimentados e 4.890,3 não-pavimentados. A extensão total da malha rodoviária, incluindo rodovias municipais, estaduais e federais, é de 53.325,4, segundo o Departamento de Edificações e Rodovias do Ceará.[183] Todas as sedes dos municípios têm acesso por estradas pavimentadas.[184] Atualmente o sistema encontra-se com algumas estradas danificadas em decorrência de fortes chuvas,[185] mas a maioria das rodovias apresenta boa condição de trafegabilidade.[186][187]

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