quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sertão brasileiro


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Sub-regiões do Nordeste: 1 Meio-norte,
2 Sertão, 3 Agreste e 4 Zona da Mata
O Sertão brasileiro é uma das quatro sub-regiões do Nordeste do Brasil.
Estende-se por grande parte da Bahia,do estado de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Piauí; por todo o Ceará; e por uma pequena parte do Sergipe e de Alagoas. Além disso, atinge a Mesorregião Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha no estado de Minas Gerais. Um facto curioso acerca do Sertão é que ao contrário dos demais semi-desertos do mundo, ele não margeia um grande deserto, mas sim margeado por zonas úmidas. Isso explica suas peculiaridades biomáticas e sua atipicidade demográfica (tido como um dos semi-desertos mais povoados do mundo com centenas de núcleos civilizacionais).
Compreende as áreas dominadas pelo clima tropical semi-árido (quente e seco),[1] que apresenta temperaturas médias elevadas, entre 28 °C e 45 °C (ultrapassa os 42 ºC somente no norte e nordeste da Bahia,além do centro-sul do Piauí) e duas estações bem definidas: uma seca e outra chuvosa. As chuvas concentram-se em apenas três ou quatro meses do ano, e pluviosidade no Sertão atinge a média de 750 mm anuais, sendo que em algumas áreas chove menos de 500 mm ao ano.[1]

Índice

História


Fortaleza no Ceará é a única capital nordestina localizada na região geográfica do sertão.
A palavra Sertão teve origem durante a colonização do Brasil pelos portugueses. Ao saírem do litoral brasileiro e se interiorizarem, perceberam uma grande diferença climática nessa região semi-árida. Por isso a chamavam de "desertão", ocasionado pelo clima quente e seco. Logo, essa denominação foi sendo entendida como "de sertão", ficando apenas a palavra Sertão.
O primeiro processo do país de interiorização ocorreu nessa região, entre os séculos XVI e XVII, com o deslocamento da criação de gado do litoral, devido à pressão exercida pela expansão da lavoura de cana-de-açúcar, que era o principal produto de exportação da economia colonial. A área foi conquistada por povoadores com escassos recursos e o desenvolvimento da pecuária possibilitou o desbravamento nos sertões. Os caminhos de boiadas assim criados permitiram a articulação e o intercâmbio entre o litoral nordestino e o interior, dando origem a diversas cidades. O rio São Francisco constituiu uma via natural de entrada para o Sertão, ampliando a extensão da área envolvida nessas trocas.

Geografia

Chuvas


Sertão no estado do Rio Grande do Norte durante o período chuvoso.
O Sertão é a sub-região que apresenta o menor índice pluviométrico de todo o país.[2] A escassez e a distribuição irregular das chuvas nessa área devem-se, sobretudo, à dinâmica das massas de ar e, também à influência do relevo.
Entre os meses de outubro e março podem, ocasionalmente, ocorrer chuvas nas demais áreas do Sertão provocadas pela ação de frentes frias polares que atingem o Sudeste. Já a ocorrência de chuvas nas demais áreas do Sertão está associada, basicamente, aos ventos alísios que sopram do Hemisfério Norte.[3] Quando são mais intensos, esses ventos provocam chuvas no Sertão, principalmente entre os meses de março e maio.

Seca


Sertão em período de seca no estado da Bahia.
Na maior parte do Sertão, as chuvas geralmente ocorrem entre os meses de dezembro e abril.[4][5] Porém em certos anos, não ocorrem precipitações nesse período e a estiagem pode de prolongar dando origem às secas.
A ocorrência das secas está diretamente relacionada ao fenômeno do aquecimento das águas do Oceano Pacífico,[5] nas proximidades da costa oeste da América do Sul, denominado El Niño. Esse aquecimento do Pacífico ocorre em períodos irregulares de três a sete anos,[5] interferindo na circulação dos ventos em escala global, e consequentemente, na distribuição das chuvas no Sertão nordestino.
As secas acarretam grandes prejuízos aos proprietários rurais, que perdem suas lavouras e criações, e à população em geral, que sofre com a falta de alimentos e água potável nessa sub-região do Nordeste.
A área atingida pela seca equivale a três vezes o estado de São Paulo[carece de fontes].
As chuvas esporádicas e o auxílio emergencial não podem fazer esquecer a necessidade de se criarem alternativas eficazes para combater o problema.
A seca é uma tragédia cíclica. A fome e o abandono do sertanejo são permanentes.
Uma cisterna com capacidade para 15 mil litros custa cerca de R$ 1,8 mil e pode abastecer uma família de cinco pessoas por sete a oito meses de estiagem[6].

Petrolina, no Sertão de Pernambuco, é a maior cidade da Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento do Polo Petrolina e Juazeiro, que se consolidou como maior exportador de frutas e segundo maior pólo vitivinicultor do Brasil graças ao uso de modernas técnicas de cultivo e irrigação.[7][8] A RIDE Petrolina e Juazeiro é o maior aglomerado urbano do interior da região Nordeste.

Polígono das Secas

Com o propósito de facilitar ações para combater as secas e amenizar os seus efeitos sobre a população sertaneja, o governo federal delimitou em 1951,[5][9][10] o chamado Polígono das Secas.
Inicialmente o Polígono abrangia cerca de 950.000 km²,[5] estendendo-se pelas áreas de clima semi-árido. Entretanto, após a ocorrência de grandes secas, a área do Polígono foi ampliada, alcançando parte do estado de Minas Gerais, também atingido pelas estiagens.
Diversos órgão do governo são responsáveis pelo combate às secas, especialmente o DNOCS (Departamento de Nacional de Obras Contra as Secas), que coordena programas de irrigação, construção de poços artesianos e açudes, bem como outras funções, visando amenizar os problemas da população. chuvas são pouquíssimas no sertão nordestinos

Caatinga

A Caatinga é a vegetação predominante em todo Sertão e em parte do Agreste. Ela ocupa as áreas de clima semi-árido, resistindo às secas através de adaptações naturais.

Centros urbanos


Barreiras, na Bahia, é um importante centro urbano do sertão.
O seu maior polo geopolítico e civilizacional fica na sua parte mais setentrional e costeira, ou seja, Fortaleza, que também é uma das nove capitais da região.
O sertão também conta com importantes cidades polos e centros urbanos que exercem significativa influência na região tais como: Petrolina, Serra Talhada, Arcoverde e Araripina em Pernambuco; Patos, Sousa, Pombal, Piancó, Itaporanga, Catolé do Rocha, Monteiro e Cajazeiras na Paraíba; Vitória da Conquista, Juazeiro, Jequié, Barreiras, Paulo Afonso e Jacobina na Bahia; Picos no Piauí; Juazeiro do Norte, Sobral, Icó e Crato no Ceará; Mossoró e Caicó no Rio Grande do Norte e Delmiro Gouveia em Alagoas. O único estado sertanejo que não possui polos notáveis é o estado de Sergipe, justamente onde o sertão atinge suas menores áreas e populações dentro de estados nordestinos.

Cultura


Espetáculo "Chuva de Bala" nos festejos juninos de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
O sertão compete com a Zona da Mata pelos melhores carnavais da região, enquanto a zona da mata possui os maiores. O mesmo ocorre com o São João, já que o Agreste possui os maiores, porém o sertão compete com muitos dos melhores festivais, dentre os quais se destacam o de Patos, Mossoró, etc. No litoral semi-árido também encontramos a cultura do jangadeiro setentrional, tido como o arquétipo do cearense, mas que não reflete tanto o sertanejo meridional, sem litoral. A base etnológica do Sertão varia com latitude e longitude, mas no geral tende a ser mais ameríndia e europoide que a média da zona da Mata centro-meridional, meio-norte setentrional, etc. O sertão por ser a zona geográfica mais extensa, mesmo que não a mais povoada, mas já ter sido talvez a mais populosa em meados do século XVIII e XIX, tende a ser visto como a síntese do Nordeste pelos não-nordestinos, mesmo quando o Nordeste apresenta tamanho grau de heterogeneidade que possa inclusive ser chamado de os "Nordestes". O principal ritmo nativo do Sertão é o forró. Já o gênero não-sertanejo mais apreciado no sertão é a música sertaneja do interior do Centro-Sul ocidental.

Referências

  1. a b I. BOLIGIAN, Levon; II. MARTINEZ, Rogério; III. GARCIA, Wanessa; IV. Alves, Andressa; Geografia, Espaço e Vivência, 6ª série, cap.10, pág. 85, o Agreste e o Sertão, 2005.
  2. I. BOLIGIAN, Levon; II. MARTINEZ, Rogério; III. GARCIA, Wanessa; IV. Alves, Andressa; Geografia, Espaço e Vivência, 6ª série, cap.10, pág. 85, Por que chove pouco no Sertão, 2005.
  3. I. BOLIGIAN, Levon; II. MARTINEZ, Rogério; III. GARCIA, Wanessa; IV. Alves, Andressa; Geografia, Espaço e Vivência, 6ª série, cap.10, pág. 85, Por que chove pouco no Sertão, 2005
  4. http://www.brasilescola.com/brasil/a-seca-no-nordeste.htm
  5. a b c d e I. BOLIGIAN, Levon; II. MARTINEZ, Rogério; III. GARCIA, Wanessa; IV. Alves, Andressa; Geografia, Espaço e Vivência, 6ª série, cap.10, pág. 86, A Seca no Sertão, 2005.
  6. Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi- Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais http://www.cliquesemiarido.org.br/>
  7. [1]
  8. [2]
  9. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L1348.htm
  10. Depois a Lei nº 4.239, de 27 de julho de 1963, estatuiu que o município criado com desdobramento de área de município incluído no Polígono das Secas, será considerado como pertencente a este para todos os efeitos legais e administrativos. De outra parte, a Lei nº 4.763, de 30 de agosto de 1965, incluiu o município de Vitória da Conquista. E finalmente, o Decreto-Lei de nº 63.778, de 11 de dezembro de 1968, delegou ao Superintendente da Sudene a competência de declarar, observada a legislação específica, quais os municípios pertencentes ao Polígono das Secas. Esse Decreto-Lei regulamentou e esclareceu que a inclusão de municípios no Polígono, somente ocorreria para aqueles criados por desdobramento de municípios anteriormente incluídos total ou parcialmente, no mesmo Polígono, quando efetuados até a data da lei regulamentar, ou seja, de 30 de agosto de 1965. Em 19 de dezembro de 1997, o Conselho Deliberativo da Sudene com a Resolução nº 11.135, aprovou a atualização da relação dos municípios pertencentes ao Polígono das Secas, incluindo aqueles que foram criados por desmembramento até janeiro de 1997.

Ver também

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Ligações externas

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