segunda-feira, 21 de maio de 2012

Lunário Perpétuo - Antonio Nóbrega




Meu lunário tem antigas
Alquimias de almanaque.
Já enfrentou intempéries,
Roubos, incêndios e saques:
Dos homens, das traças, das garras das eras.
Carrega segredos, decifra quimeras,
Venceu todos os ataques
O meu lunário perpétuo
Sob o sol é luzidio.
Meu lunário foi forjado
Num fogo de desafio,
Que vibra, esquenta, atiça, aperreia,
Faísca, enlouquece, que pega na veia.
Pelos séculos a fio.
O meu lunário perpétuo
Guarda as vozes seculares
Do profeta de canudos
E do mártir dos palmares,
Sonhando com o reino do espírito santo
Na terra, no céu, em todo recanto.
Nos terreiros e altares.
O meu lunário perpétuo
É meu livro precioso,
Minha cartilha primeira,
Minha bíblia de trancoso.
João grilo, chico, malazartes, mateus,
Os órfãos da terra, os filhos de deus,
Heróis do maravilhoso.
Meu lunário é a memória
De um país que vai passando
Diante dos nosos olhos,
Rindo, mexendo, cantando.
Mestiço, latino, caboclo, nativo.
É velho, é criança, morreu e tá vivo...
Presente, mas até quando?
Meu lunário é conselheiro,
Meu folheto, é meu missal,
Atravessando os milênios,
Cada ponto cardeal.
De norte a sul, de pai para filho,
De lá para cá, meu livrinho andarilho,
Fabuloso romançal.

29/06/2007


LIVROS DO BRASIL - O LUNÁRIO PERPÉTUO


(Trecho da edição de 1921 do Lunário Perpétuo, com orientação medicamentosa e filosófica de Avicena ( págs. 298 - 299) :
Para tirar qualquer bicho que tenha entrado no corpo. Quando o bicho ou cobra entrar no corpo de alguma pessoa, que estiver dormindo, o melhor remédio é tomar o fumo de solas de sapatos velhos, pela boca, por um funil, e o bicho sairá pela parte de baixo : coisa experimentada.)1
O Lunário Perpétuo foi o livro mais lido nos sertões do nordeste durante uns duzentos anos. Ensinava, com a vastidão de um almanaque, desde prognósticos meteorológicos até remédios estupefacientes; informava ainda sobre horóscopos, países da Europa, mitologia, doutrina cristã, conselhos veterinários, nomes de estrelas, biografia de papas, ladainhas fúnebres, rudimentos de física e química e dicas culinárias. Explicava como agir em casos de terremotos, maremotos e demais catástrofes naturais. Era, por assim dizer, uma espécie de google de tempos passados; muito mais divertido, esclarecedor, poético e preciso, diga-se de passagem. Educou gerações de brasileiros do sertão.
Para vocês verem como no Lunário tinha de tudo, a edição de 1906 ensinava uma simpatia para se amarrar a pessoa amada. Leiam que beleza :
Leva-se um coração de boi, inteiro e cru, até o cruzeiro das almas de um cemitério. Ao cair da noite, o coração deve ser envolto em pano virgem e enterrado ao lado de alguma tumba próxima ao cruzeiro. Após o terceiro dia, o coração deve ser desenterrado; logo após deve-se pronunciar três vezes a seguinte frase : - O coração de fulano(nome da pessoa) será eternamente meu, como este coração de boi será agora. Feito isso, o coração deve ser inteiramente comido, da forma como estava ao ser desenterrado. É a garantia do amor eterno.
Para quem interessar possa, o primeiro Lunário foi publicado em Lisboa, no ano de 1703, com o sensacional título de O Non Plus Ultra do Lunário e Prognóstico Perpétuo, Geral e Particular para Todos os Reinos e Provincias, escrito por um certo Jerônimo Cortez, valenciano, traduzido em português e emendado conforme o Expurgatório da Santa Inquisição. Há um exemplar no setor de obras raras da Biblioteca Nacional.
Capistrano de Abreu, o grande historiador do século XIX, dizia não acreditar em padres, feiticeiros, filósofos ou coisa que o valha. Não abria mão, porém, de consultar o Lunário para informar-se sobre os designos dos astros. Câmara Cascudo morreu cego, mas com um exemplar do Lunário Perpétuo, edição de 1918, encima do criado-mudo. Os cantadores de São José do Egito consultam, ainda hoje, velhíssimas edições do livro para versar seus desafios em gestas imemoriais. O Lunário Perpétuo é um dos livros do Brasil.
Axé
1- in Câmara Cascudo. Dicionário do Folclore Brasileiro. ver o verbete Lunário Perpétuo.

Lunário Perpétuo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Lunário perpétuo é um CD / DVD do artista Antônio Nóbrega lançado em 2002. Nele canta-se o romance de Riobaldo e Diadorim, baseado na obra Grande Sertão: Veredas, do escritor Guimarães Rosa.

[editar] Músicas

  1. O rei e o palhaço - (Bráulio Tavares, Antônio Nóbrega)
  2. Ponteio acutilado - (Antônio Nóbrega)
  3. Romance da filha do imperador do Brasil - (Ariano Suassuna, Antônio Nóbrega)
  4. Carrosel do destino - (Bráulio Tavares, Antônio Nóbrega)
  5. Romance da Nau Catarineta - (Toadas populares, Romance tradicional recriado por Ariano Suassuna)
  6. Canjiquinha - (Lourival Oliveira)
  7. A morte do Touro Mão de Pau - (Ariano Suassuna, Antônio Nóbrega)
  8. Pagão - (Pixinguinha)
  9. Excelência - (Toadas populares, Recriação literária de Ariano Suassuna)
  10. Meu foguete brasileiro - (Bráulio Tavares, Antônio Nóbrega)
  11. Luzia no frevo - (Antonio Sapateiro)
  12. Delírio - (Antonio José Madureira)
  13. Lágrimas de um folião - (Levino Ferreira)
  14. Romance de Riobaldo e Diadorim - (Wilson Freire, Antônio Nóbrega)
  15. Lunário Perpétuo - (Bráulio Tavares, Wilson Freire, Antônio Nóbrega)

[editar] Ficha Técnica

Direção: Walter Carvalho Direção artística: Antônio Nóbrega Direção musical: Antônio Nóbrega músicos: Antonio Nóbrega: acordeon; Daniel Allain: sopros; Edmilson Capeluppi: cordas; Edson Alves: cordas; Eugênia Nóbrega: sopros; Gabriel Almeida: percussão; Mário Gaiotto: percussão; Zezinho Pitoco: sopros e percussão; Dançarina: rosane almeida; Artistas convidados: Cleiton Salustiano Soares; Edielson; João Salustiano Soares; José Grimário; Manoel Salustiano Soares Filho; Mestre Salustiano; Pedro Salustiano; Wellington dos Santos Soares

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