terça-feira, 4 de outubro de 2011

SALVADOR - BAHIA

História

A cidade de Salvador foi fundada a mando do rei de Portugal Dom João III.
Chegada de Tomé de Sousa à Bahia, numa gravura de começo do século XIX.
Salvador foi a capital do Brasil de 1549 até 1763.
Salvador em 1875.
A Cidade Baixa em 1875. Ao fundo e à direita: o Elevador Lacerda, ainda sem as ampliações, que só seriam realizadas em 1930.

Antes mesmo de ser fundada cidade, a região já era habitada desde o naufrágio de um navio francês, em 1510, de cuja tripulação fazia parte Diogo Álvares, o famoso Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Diogo Álvares e sua esposa, Catarina Paraguaçu.

Em 1536, chegou à região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu capitania hereditária de El-Rei Dom João III. Fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha. Os índios não gostavam de Pereira Coutinho por causa de sua crueldade e arrogância no trato. Por isso, aconteceram diversas revoltas indígenas enquanto ele esteve na vila. Uma delas obrigou-o a refugiar-se em Porto Seguro, com Diogo Álvares; na volta, já na Baía de Todos os Santos, enfrentando forte tormenta, o barco, à deriva, chegou à praia de Itaparica. Nessa, os índios fizeram-no prisioneiro, mas deram liberdade a Caramuru. Francisco Pereira Coutinho foi retalhado e servido numa festa antropofágica.

Em 29 de Março de 1549 chegam, pela Ponta do Padrão, Tomé de Sousa e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens do rei de Portugal de fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador. Nasce assim a cidade de Salvador: já cidade, já capital, sem nunca ter sido província. Todos os donatários das capitanias hereditárias eram submetidos à autoridade do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa.

Com o governador vieram nas embarcações mais de mil pessoas. Trezentas e vinte nomeadas e recebendo salários; entre eles o primeiro médico nomeado para o Brasil por um prazo de três anos: Dr. Jorge Valadares; e o farmacêutico Diogo de Castro, seiscentos militares, degredados, e fidalgos, além dos primeiros padres jesuítas no Brasil, como Manuel de Nóbrega, João Aspilcueta Navarro e Leonardo Nunes, entre outros. As mulheres eram poucas, o que fez com que os portugueses radicados no Brasil, mais tarde, solicitassem ao Reino o envio de noivas.

Edifícios públicos de Salvador em 1928, destacando (em baixo e à esquerda) a antiga Biblioteca Pública, já demolida.

Talvez Tomé de Sousa tenha sido o primeiro visitante a apaixonar-se pelo local, como muitos após ele, pois disse ao funcionário que lhe entregou a notícia de que o substituto estava a caminho: "Vedes isto, meirinho? Verdade é que eu desejava muito, e me crescia a água na boca quando cuidava em ir para Portugal; mas não sei por que agora se me seca a boca de tal modo que quero cuspir e não posso". Após Tomé de Sousa, Duarte da Costa foi o governador-geral do Brasil, chegou a 13 de Julho de 1553, trazendo 260 pessoas, entre elas o filho Álvaro, jesuítas como José de Anchieta, e dezenas de órfãs para servirem de esposas para os colonos. Mem de Sá, terceiro governador-geral, que governou até 1572, também contribuiu com uma grande administração.

A cidade foi invadida pelos neerlandeses em 1598, 1624-1625 e 1638. O açúcar, no século XVII, já era o produto mais exportado pela colônia. No final deste século a Bahia se torna a maior província exportadora de açúcar. Nesta época, os limites da cidade iam da freguesia de Santo Antônio Além do Carmo até a freguesia de São Pedro Velho. A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital, e sede da administração colonial do Brasil até 1763.

Em 1798, ocorreu a Revolta dos Alfaiates, na qual estavam envolvidos homens do povo como Lucas Dantas e João de Deus, e intelectuais da elite, como Cipriano Barata e outros profissionais liberais.

Em 1809, Marcos de Noronha e Brito, o conde dos Arcos, iniciou sua administração, a qual foi muito benéfica à cidade. Em 1812 ele inaugurou o Teatro São João, onde mais tarde Xisto Bahia cantaria suas chulas e lundus, e Castro Alves inflamaria a plateia com os maravilhosos poemas líricos e abolicionistas. Ainda no governo do Conde dos Arcos, ocorreram os grandes deslizamentos nas Ladeiras da Gameleira, Misericórdia e Montanha.

Em 1835 ocorre a revolta dos escravos muçulmanos, conhecida como Revolta dos Malês. Durante o século XIX, Salvador continuou a influenciar a política nacional, tendo emplacado diversos ministros de Gabinete no Segundo Reinado, tais como José Antônio Saraiva, José Maria da Silva Paranhos, Sousa Dantas e Zacarias de Góis. Com a proclamação da República, e a crise nas exportações de açúcar, a influência econômica e política da cidade no cenário nacional decresce.

Em 1912 ocorre o bombardeio da cidade, causado pelas disputas entre as lideranças oligárquicas na sucessão do governo: é destruída a Biblioteca e Arquivo, perdendo-se de forma irremediável importantes documentos históricos da própria cidade.

Geografia

Região metropolitana

A Região Metropolitana de Salvador, popularmente conhecida como "Grande Salvador", é constituída por 13 municípios: Camaçari, Candeias, Dias d'Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca, Salvador, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz e conta com 3.574.804 habitantes.[4] Atualmente, é a sétima região metropolitana mais populosa do Brasil (IBGE/2010) e uma das 120 maiores do mundo ).[4]

Hidrografia

A capital baiana está inserida na Região hidrográfica do Atlântico Leste, mais especificamente na Região de Planejamento de Gestão das Águas do Recôncavo Norte (RPGA XI). A água que abastece a capital vem da Barragem de Pedra do Cavalo, no Rio Paraguaçu, e dos rios Joanes e Ipitanga, localizados na Região Metropolitana de Salvador. O município de Salvador tem 10 bacias hidrográficas, as mais expressivas são as Bacia Camaragibe e a Bacia Jaguaribe. O Rio Camaragibe e o Jaguaribe, este último também conhecido como Rio Trobogy, por atravessarem muitos bairros de Salvador são consequentemente os mais poluídos da cidade.

Praias e litoral

Ver página anexa: Lista de praias de Salvador

Salvador possui famosas praias, como as de Itapuã, dos Artistas e do Porto da Barra. As praias da cidade atraem tanto habitantes locais como turistas, principalmente devido à temperatura agradável da água. Algumas praias possuiam restaurantes típicos na própria areia (barracas de praia), - demolidas com base no Artigo 225 da Constituição [14]- onde se preparavam frutos do mar e bebidas diversas. Além disto, é comum encontrar tabuleiros de baianas, onde é possível provar um Acarajé. Também está em fase de construção ciclovias, como preparação antecipada da cidade para a Copa de 2014.[15]

Relevo

O relevo de Salvador é acidentado e cortado por vales profundos. Conta com uma estreita faixa de planícies, que em alguns locais se alargam. A cidade está a 8 metros acima do nível do mar.

A capital baiana é dividida em duas partes: a Cidade Alta, a maior delas (e mais recente), e a Cidade Baixa, cortada por faixas litorâneas. Existem elevadores que fazem o transporte entre as duas.

Vegetação

Existem vários tipos de vegetação na cidade. Nas praias e dunas, encontram-se coqueiros. Entre as espécies presentes em Salvador estão a pimenteira, o capim-da-areia e a grama-da-praia.

Clima

Possui um clima tropical predominantemente quente, com maior concentração de chuvas no inverno e verão seco. Chega a extremos de 15 °C no inverno[16] e a 38 °C no verão. A brisa oriunda do Oceano Atlântico deixa agradável a temperatura da cidade mesmo nos dias mais quentes.[carece de fontes]

Os bairros litorâneos, fora da Baía de Todos os Santos, como a Pituba, Praia do Flamengo, recebem fortes ventos, vindos do mar.

A temperatura máxima absoluta no município de Salvador foi de 34,4 °C[17] no dia 8 de fevereiro de 1963 e mínima absoluta de 12 °C[18] no dia 20 de julho de 1966.

Etnias

Salvador é o centro da cultura afro-brasileira. A maior parte da população é negra ou parda. Segundo dados divulgados pelo PNAD de 2005 para a região metropolitana de Salvador, 54,9% da população é de cor parda, 26% preta, 18,3% branca e 0,7% amarela ou indígena.[21] Salvador é a cidade com o maior número de descendentes de africanos no mundo, seguida por Nova York, majoritariamente de origem iorubá, vindos da Nigéria, Togo, Benim e Gana.(em inglês)[22]

Um estudo genético realizado na população de Salvador confirmou que a maior contribuição genética da cidade é a africana (49,2%), seguida pela europeia (36,3%) e indígena (14,5%). O estudo também concluiu que indivíduos que possuem sobrenome com conotação religiosa tendem a ter maior grau de ancestralidade africana (54,9%) e a pertencer a classes sociais menos favorecidas.[23]

Religião

Salvador em termos de religião é conhecida por ter 365 igrejas católicas, uma para cada dia do ano, além do sincretismo religioso, onde o catolicismo convive junto ao candomblé. O número de evangélicos vem crescendo a cada ano, já respondendo por 15% da população soteropolitana. Possui ainda um percentual significante de espíritas, e de pessoas não-religiosas. No Brasil, o Primaz é o Arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Religião Porcentagem[24] Nº de pessoas
Católicos 58,74% 1 479 101
Sem religião 18,14% 443 236
Protestantes 15,13% 324 785
Espíritas 2,53% 61 833

Pelourinho

A palavra Pelourinho, em sentido amplo, corresponde a uma coluna de pedra localizada normalmente ao centro de um praça, onde eram expostos e castigados criminosos.[29] No Brasil, e em especial o pelourinho de Salvador, o uso principal era para castigar escravos através de chicotadas durante o período colonial. Tempos depois do fim da escravidão no Brasil, este local da cidade passou a atrair artistas de todos os gêneros: cinema, música, pintura, etc., tornando o Pelourinho em um centro cultural.

Em 1991, houve maciço investimento estatal em segurança e financiamento na instalação de hospedarias, restaurantes, escolas de dança e outras artes, além duma grande restauração dos casarios que foi iniciada. Contundo, certas construções não foram recuperadas internamente, já que as fachadas foram priorizadas, dentre outros motivos, devido ao estado do interior do casario que impedia a reconstrução fiel. Com a restauração, a procura dos turistas nacionais e estrangeiros pelo local foi ampliada. Mas também, moradores desses casarios foram recolocados em outros bairros de Salvador.

O Pelourinho de Salvador é um local repleto de construções coloniais de diferentes tons de cor. Então, por todo o valor histórico-cultural, atualmente, o nome consta no Registro Histórico Nacional, é chamado de Centro Cultural do Mundo pela UNESCO e, ainda, a UNESCO certificou esse sítio histórico como Patrimônio da Humanidade.

O Pelourinho está dentro do Centro Histórico de Salvador, o qual é tombado pela UNESCO, e, assim, permite a Salvador ser membro da Organização das Cidades do Patrimônio Mundial.

Cultura

A cultura desenvolvida em Salvador, primeira cidade do Brasil, e no Recôncavo da Bahia, exerceu influência decisiva em outras regiões do país, e na própria imagem que se tem do Brasil no exterior. Desde o século XVII observa-se no estado uma dualidade religiosa: de um lado, a religião católica (de origem europeia); do outro, o candomblé (de origem africana).

Museu da Cidade e Casa de Jorge Amado no Centro Histórico de Salvador.

Já no século XIX firmou-se o gosto do baiano - tanto o de origem abastada quanto o pobre - pelo epigrama (tipo de poesia satírica); pelas modinhas (poesia lírica musicada); e, também, pelos sermões religiosos, praticado desde Frei Vicente do Salvador e tendo o ápice em Vieira.

A chegada dos africanos vindos do golfo de Benim e do Sudão, no século XVIII, foi decisiva para desenvolver a cultura da Bahia como um todo. Segundo Nina Rodrigues, isso é o que diferencia a cultura baiana da cultura encontrada nos outros estados brasileiros. Nesses, os africanos que vieram eram, predominantemente, os negros bantos de Angola.

Os negros iorubanos e nagôs estabeleceram uma rica cultura nas terras da Baía de Todos os Santos. Pois que tinham religião própria, o candomblé; música própria, a chula, o lundu; dança própria, praticada no samba de roda; culinária própria, que deu origem à culinária baiana, inventando diversos pratos com base no azeite-de-dendê e leite de coco (tudo com muita farinha-de-guerra dos índios tupinambás e tapuias), e sobremesas, desenvolvendo o que veio de Portugal; luta própria, a capoeira, e o maculelê; vestimenta própria, aliando as já tradicionais indumentárias africanas às fazendas portuguesas; e uma mistura de línguas, mesclando iorubá com português.

No século XIX, os visitantes começaram a cultuar a imagem da Bahia como de uma terra alegre, bonita, rica (por causa da cana-de-açúcar e das pedras preciosas das Lavras) e culta, que dava ao Brasil grandes intelectuais e Ministros do Gabinete Imperial.

Bloco de bonecos durante o Carnaval de Salvador, expressão típica da cultura popular nordestina.

Na década de 1870, as baianas começaram a migrar para o Sudeste do país em busca de emprego. E, assim, essas "tias" baianas foram disseminando a cultura da Bahia, vendendo acarajés nos tabuleiros e gamelas, dando festas onde se dançava samba de roda (que, mais tarde, modificado pelos cariocas, iria resultar no samba como se tornou conhecido), desfilando suas batas e panos-da-costa pelas ruas da Capital Federal. Por isso, naquela época, chamava-se de baiana todas as negras bonitas, segundo afirma Afrânio Peixoto, no "Livro de Horas".

A partir da década de 20 do século XX, torna-se moda fazer músicas em louvor à Bahia. E houve grande polêmica quando o sambista Sinhô, contrariando, cantou que a Bahia era "terra que não dá mais coco". Baianos e cariocas, tais como Donga, Pixinguinha, Hilário Jovino Ferreira e João da Baiana, foram defender a Bahia.

A partir da década de 30, primeiro pelos romances de Jorge Amado e depois pelas músicas de Dorival Caymmi, ficou estabelecida ante o Brasil a imagem que se tem da Bahia, perdurando até os dias atuais.

Feriados municipais

São feriados municipais na cidade, segundo a lei nº 1.997, de 21 de Junho de 1967, que os fixa:

Além dos outros feriados válidos para todo o Brasil e para a Bahia.

Festas e comemorações

Procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes acontece em 1 de janeiro. Várias embarcações de todos os tipos velejam na Baía de Todos os Santos carregando a imagem do Bom Jesus da igreja da Conceição da Praia para a capela da Boa Viagem, num lindo desfile de fé.

De 3 a 6 de janeiro tem Reis, a Festa da Lapinha.

Na segunda quinta-feira do mês de janeiro se faz a Lavagem do Bonfim. Uma enorme procissão, em que os participantes vestem trajes brancos, em homenagem a Oxalá. A multidão parte da igreja da Conceição da Praia em direção à Igreja do Bonfim, no alto da Colina Sagrada, no bairro de mesmo nome. A cada ano aproximadamente 800 mil pessoas participam da grandiosidade desse evento religioso. Ao chegarem ao final do cortejo, baianas com suas roupas típicas despejam os vasos com água de cheiro no adro da Igreja do Bonfim e sobre as cabeças dos fiéis. É uma festa Católica, misturada com Candomblé, que tem se tornado cada vez mais profana que religiosa. Ao final da lavagem da escadaria da igreja, começa a parte mais popular da festa, com muita cerveja, pagode, reggae e comidas servidas em barracas que se espalham por quase todo o bairro do Bonfim. Durante a realização dessa festa, a Cidade Baixa fica praticamente interditada para o tráfego de veículos pelas ruas e avenidas por onde o cortejo se desloca. Apesar de não ser feriado na cidade, os estabelecimentos comerciais que ficam ao longo do percurso fecham as portas em respeito à realização da festa e por pura falta de condições de funcionarem enquanto milhares de pessoas se divertem pelas ruas.

É comemorado o dia de São Lázaro no último domingo de janeiro.

Regata de Saveiros João das Botas ocorre entre janeiro e fevereiro.

No dia 2 de fevereiro, os adeptos do candomblé homenageiam a Rainha do Mar, Iemanjá simbolizada numa sereia. A festa acontece no Rio Vermelho, quando centenas de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao Candomblé "entregam" presentes à Rainha do Mar, depositando perfumes, flores e outras oferendas em barcos que transportam os presentes ao alto mar. Algumas pessoas simplesmente jogam os presentes ao mar. É uma grande e poderosa manifestação de fé na força da Mãe d’Água, que tem desdobramento profano nas barracas padronizadas, onde a crença é transformada em samba, festa que se prolonga até altas horas da noite, regada principalmente a cerveja.

Quinze dias antes do carnaval se faz a Lavagem da Igreja de Itapuã.

E em fevereiro é a vez da Lavagem da Igreja de Nossa Senhora da Luz.

Praia do Farol da Barra cheia de banhistas, um dia antes da abertura do Carnaval de Salvador 2008.

Entre fevereiro e março ocorre o tão esperado Carnaval. Durante sete dias, da quarta-feira até a manhã da quarta-feira de Cinzas, acontece a maior festa do mundo em participação popular, que toma toda a cidade de foliões, vestidos nos abadás e becas dos blocos preferidos ou com fantasias e pulando como "pipoca" atrás dos trios independentes, rumo aos diversos circuitos do carnaval. Os foliões chamados de "pipocas" são aqueles que não têm condições de pagar por uma fantasia e sair dentro de um bloco e acabam pulando o tempo todo fora das cordas que circundam os trios-elétricos. Existe o circuito central, do Campo Grande à Praça Castro Alves; outro, na orla, sentido Barra-Ondina; e o mais tradicional, do Pelourinho à rua Chile, no Centro Histórico. Neste circuito, o forte é a música das bandinhas de sopro e percussão, os afoxés, blocos afros e os fantasiados e, nos demais, desfilam os grandes blocos, com os possantes trios elétricos, uma criação dos baianos Dodô e Osmar que virou mania em todo o Brasil.

Na segunda quinzena junho, ocorre a também bastante aguardada São João, que na capital tem o nome de "Arraiá da Capitá" e se concentra no Parque de Exposições, reunindo cantores de várias parte do Brasil e do estado da Bahia, barracas com comidas e bebidas típicas.

O 2 de julho é a data magna baiana, quando ocorre em Salvador e cidades do Recôncavo a festa pela independência da Bahia, que tem o Caboclo e Cabocla como ícones da participação popular na defesa do que viria a ser a nação brasileira contra o domínio português. O desfile do 2 de julho aconteceu pela primeira vez em 1824 como forma de protesto do povo baiano contra a continuidade da ordem social vigente.

Em 27 de setembro é São Cosme e São Damião, dia em que devotos fazem caruru e distribuem balas para as crianças. Esta festa, porém, se restringe basicamente ao Mercado de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, região do Centro Histórico de Salvador. Muitos adeptos do Candomblé, entretanto, fazem festas particulares em suas residências, distribuindo o tradicional caruru e balas.

De 29 de novembro a 8 de dezembro se comemora o dia da Nossa Senhora da Conceição. O ponto culminantes da festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia é em frente à igreja de mesmo nome, nas imediações do Elevador Lacerda. Ali são armadas barracas onde são servidas comidas e bebidas, ao som de reggaes, pagodes e sambas os mais diversos.

Problemas atuais

Favela no bairro soteropolitano de Sussuarana.
Bairro do Itaigara em Salvador, um dos bairros com melhor IDH-M do Brasil.

Além da desigualdade social, há tempos, a capital da Bahia também sofre com o turismo sexual, desemprego e violência, iluminação pública e saúde precárias, crescimento desordenado (favelização) e desrespeito ao meio ambiente.[37] A cidade possui a nona maior concentração de favelas entre os municípios do Brasil com 99 favelas.[38]

Desigualdade social

Apesar de ser a capital mais rica do Nordeste e entre as primeiras do Brasil, alguns indicadores relativizam essa riqueza. Como no resto do Brasil - e principalmente do Nordeste -, há uma grande desigualdade em diversos aspectos. O IDH é levemente maior que o do Brasil, mas pode se reduzir a níveis da África ou se elevar a níveis da Europa, dependendo do bairro ou região da cidade considerados.

De acordo com o PNUD, o IDH-M do Itaigara é 0,971, fazendo do bairro um dos detentores do melhor IDH-M do Brasil. O Caminho das Árvores, Iguatemi, Pituba e Loteamento Aquárius-Santiago de Compostela possuem 0,968. A Avenida Paulo VI e Parque Nossa Senhora da Luz possuem 0,965, fazendo destes todos citados iguais ou maiores que da Noruega, líder mundial há seis anos. Porém, locais como Areia Branca e CIA Aeroporto (0,652), Coutos, Felicidade (0,659), Bairro da Paz e Itapuã (0,664) apresentam índices menores que países como a África do Sul, Guiné Equatorial e Tajiquistão, localizados na África e Ásia Central.[39]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. a b c Capitais dos Estados (em português). Atlas Geográfico do Brasil. Editora Melhoramentos. Página visitada em 10 de maio de 2009.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. a b c Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. Hitória da Cidade (em português). Página visitada em 30 de janeiro de 2009.
  8. World Gazetteer. World: largest cities and towns and statistics of their population (em inglês). Página visitada em 30 de janeiro de 2009.
  9. G1 (2010). Confira o ranking das maiores regiões metropolitanas. Globo.com. Página visitada em 4 de dezembro de 2010.
  10. World Gazetteer – Welt: Ballungsräume.
  11. Odebrecht
  12. Top Latino América (em espanhol). Página visitada em 28 de fevereiro de 2010.
  13. "UFBA está na lista 600 melhores universidades" (em português). 23 de fevereiro de 2010. (página da notícia visitada em 28 de fevereiro de 2010)
  14. Matéria no Estadao.com
  15. Salvador planeja instalar ciclovias para a Copa de 2014, acessado em 23 de junho de 2011
  16. Weather Underground - Observações Meteorológicas: Aeroporto de Salvador - 21/07/2006
  17. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  18. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  19. Weatherbase: Historical Weather for Salvador.
  20. a b Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística - IBGE. [1]
  21. IBGE, Síntese dos Indicadores Sociais 2006, Tabela 9.1 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2005. Acessado em 16 de março de 2008.
  22. Introduction to Bahia - New York Times
  23. 23959.pdf (objeto application/pdf). web2.sbg.org.br. Página visitada em 24 de fevereiro de 2011.
  24. Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA
  25. Balanço das atividades em 2006 da Câmara Municipal de Salvador, notícia divulgada pelo Correio da Bahia.
  26. Bahia Notícias / Samuel Celestino. ENTIDADES INGRESSAM COM AÇÃO NA JUSTIÇA FEDERAL CONTRA PDDU.
  27. Redes (em português). Página visitada em 10 de maio de 2009.
  28. a b Prefeitura Municipal de Salvador, Secretaria de Relações Internacionais: Cidades Irmãs.
  29. Significado da palavra "Pelourinho' segundo o dicionário Priberam.
  30. Página da SEI-BA - Visitado em 24/12/2007
  31. Tabela 2 - Posição ocupada pelos 100 maiores municípios em relação ao PIB a preços correntes e participações percentuais relativa e acumulada, segundo os municípios e respectivas UFs - 2003.
  32. EBAPE/FGV.
  33. Emporis.com. Construction Comparison of the World's Most Booming Cities.
  34. Emporis.com. Salvador Buildings, Real Estate, Architecture, Skayscrapers and Construction Database.
  35. Emporis.com. Buildings of Salvador.
  36. Infraero. Movimento Operacional de 2007.
  37. LIMA, Luciana. "Debate destaca principais problemas de Salvador" (em português). 3 de outubro de 2008 às 11h37. (página da notícia visitada em 24 de abril de 2009)
  38. PONTES, Fernanda; SCHMIDT, Selma (28 de janeiro de 2001). "A invasão silenciosa das favelas" (em português). O Globo.
  39. PNUD Brasil. Grande Salvador tem IDH de Europa e África

Ver também

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Wikisource Textos originais no Wikisource
Commons Imagens e media no Commons

Ligações externas

Wikitravel newlogo.png Guia de viagens sobre Salvador no Wikitravel.


Imagem: Centro Histórico de Salvador
A cidade de Salvador (Bahia) inclui o sítio Centro Histórico de Salvador, Património Mundial da UNESCO.
Categoria: Salvador

Porto Seguro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Município de Porto Seguro
Cidade Histórica de Porto Seguro

Cidade Histórica de Porto Seguro
Bandeira de Porto Seguro
Brasão de Porto Seguro
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 30 de junho de 1534
Gentílico porto-segurense
Lema Jam ante brasilian ego
"Antes do Brasil: Eu"
Prefeito(a) Gilberto Abade (PSB)
(20092012)
Localização
Localização de Porto Seguro
Localização na Bahia
Porto Seguro está localizado na Brasil
Localização no Brasil
16° 27' 00" S 39° 03' 54" O
Unidade federativa Bahia
Mesorregião Sul Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Porto Seguro IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Santa Cruz Cabrália, Eunápolis, Itabela, Itamaraju e Prado
Distância até a capital 707 km
Características geográficas
Área 2 408,594 km² [2]
População 126 770 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 52,63 hab./km²
Altitude 4 m
Clima Tropical Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH 0,699
médio PNUD/2000 [4]
PIB R$ 685 924,134 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 5 694,21 IBGE/2008[5]
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Pena
Antiga prisão
Arraial d'Ajuda
Trancoso

Porto Seguro é um município situado no extremo sul da Bahia, no Brasil. Divide com Santa Cruz Cabrália a primazia de ser o local de chegada dos portugueses ao Brasil.

O município foi fundado em 1534. Possui cerca de 114 459 habitantes e está tombada em quase sua totalidade pelo patrimônio histórico, não sendo permitida a construção de prédios altos (com mais de dois andares)[6]. É cortado pelo rio Caraíva.

Índice

[esconder]

[editar] História

Cquote1.svg E velejando nós pela costa, na distância de dez léguas do sítio onde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada. Cquote2.svg

Porto Seguro localiza-se na região que foi, oficialmente, a primeira a ser descoberta pelos navegadores portugueses no atual território brasileiro. Em 21 de abril de 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral avistou terra firme, após ter deixado a costa africana um mês antes. O lugar avistado foi o Monte Pascoal, 62 quilômetros ao sul de Porto Seguro. No dia seguinte, os portugueses desembarcaram em terra firme pela primeira vez no atual território brasileiro. Em 24 de abril, a expedição ancorou em Porto Seguro. Em 1530, quando o comércio com as Índias Orientais enfraqueceu e Portugal passou a se interessar pela nova terra descoberta, veio dela tomar posse, terra que lhe cabia pelo Tratado de Tordesilhas. Atualmente, a cidade possui antigos monumentos históricos.

Visitar o sítio histórico da Cidade Alta é quase uma obrigação para os milhares de turistas que chegam a Porto Seguro - cidade Monumento Nacional instituída por decreto presidencial em 1973. Um dos primeiros núcleos habitacionais do Brasil, Porto Seguro, além de ostentar o marco do Descobrimento, desempenhou papel importante nos primeiros anos da colonização. São desta época prédios históricos que podem ser visitados durante o dia ou apreciados à noite, quando sob efeito de iluminação especial.

O passeio histórico pode começar pelo marco do Descobrimento, de onde se descortina uma das mais belas paisagens do litoral de Porto Seguro. O marco veio de Portugal entre 1503 e 1526 e simboliza o poder da coroa portuguesa, utilizado para demarcar suas terras. Todo em pedra de cantaria, de um lado está esculpida a cruz da Ordem de Avis e, do outro, o brasão de armas de Portugal.

Na mesma área, está a igreja de Nossa Senhora da Pena, construída em 1535 pelo donatário da capitania, Pero do Campo Tourinho. Aí estão guardadas imagens sacras dos séculos XVI e XVII, entre elas a de São Francisco de Assis - primeira imagem trazida para o Brasil - e a de Nossa Senhora da Pena, padroeira da cidade, festejada a 8 de setembro. Para se ter uma melhor ideia de como era a capitania no século de Tourinho e da chegada dos jesuítas, poderá ler alguns trechos das cartas escritas por Manuel da Nóbrega ou por José de Anchieta, padres da Companhia de Jesus, sobre a região.

Mais adiante, o Paço Municipal ou Casa de Câmara e Cadeia, datada do século XVIII, uma das mais belas construções do Brasil colônia. Nesse prédio, funciona o Museu Histórico da Cidade ou Museu do Descobrimento. A igreja da Misericórdia, ou do Senhor dos Passos, de estilo singelo, guarda imagens barrocas, destacando-se a do Senhor dos Passos e a de Cristo crucificado.

Ainda em meio do casario tombado como monumento nacional, se ergue a igreja de são Benedito, ao lado das ruínas da antiga residência e colégio dos jesuítas. A igreja foi construída pelos jesuítas em 1551 e era conhecida como de São Pedro e de Nossa Senhora do Rosário. Do lado oposto, ainda na Cidade Alta, localizam-se a estação rodoviária e o aeroporto.

Teve seu primeiro fortim levantado em 1504 por Gonçalo Coelho e reforçado no séculoJustificar XVII.


Fuá na Casa de Cabral
Mestre Ambrósio
Composição: Letra:Siba Música:Siba/Hélder Vasconcellos

Naquele Brasil antigo
Perdido no desengano
Seu Cabral chegou nadando
E não preocupou com nada
Deu ordem à rapazeada
Mandou barrer o terreiro:
"Me chame o pai do chiqueiro
que hoje eu quero forró,
Toré, samba, catimbó
Que eu já virei brasileiro"

Foi gente de todo tipo
Na festa de seu Cabral
Português de Portugal
Raceado no Oriente
Negão bebeu aguardente
Caboclo foi na Jurema
Seu Cabral pediu um tema
Danou-se a cantar poesia
Até amanhecer o dia
Numa viola pequena

No fim da festa e da farra
Cabral não sentiu preguiça
Mandou logo rezar missa
Pra ficar aliviado
Chamando o padre, apressado
Mandou começar ligeiro
Botando ordem no terreiro
Com seu maracá na mão
Jurando pelo alcorão
Que era crente verdadeiro

Mas na hora da verdade
Quando passou a cachaça
Seu Cabral sentou na praça
Caiu na reflexão
Disse: "Esta situação
sei que nunca mais resolvo!"
Então falou para o povo:
"Juro que me arrependi
o Brasil que eu descobri
queria cobrir de novo!"


Trechos da carta DE PERO VAZ DE CAMINHA

(...) Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que cobrisse sua vergonhas. Nas mãos traziam arcos com sua setas. Vinham todos rijamente sobre o batel, e Nicolau Coelho lhes fez sinal que posassem os arcos. E eles os pousaram (...) A feição é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos (...) Não fazem o menor caso de encobrir ou mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, do comprimento de uma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudo nas pontas como furador (...) Os cabelos são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta (...) E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para trás, uma espécie de cabeleira de penas de aves amarelas (...) Isto me faz presumisse que não têm casas nem moradas a que se acolham, e o ar, que se criam, os faz tais. Nem nós ainda até agora vimos casa alguma ou maneira delas (...)
(...) Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente de frutos, que a terra e as árvores de si lançam, e com isto andam tais e tão rijos e tão médios que o não somos nós tanto com quanto trigo e legumes comemos (...)
(...) Está terra, senhor, será tamanha que haverá nela bem vinte ou 25 légua por mar, muito grande, porque a estender olhos, não podíamos ter senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber se há ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro nem o vimos. Porém a terra em si é de muito nos ares, assim frios e temperados, como os de entre Doiro e Minho, porque nesse tempo de agora os achávamos como os de lá. As águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem. Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar.
E aqui aí não houvesse mais que ter esta pousada para esta navegação de Calicute, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentando da nossa santa fé.
E nesta maneira, Senhor., vou aqui a Vossa Alteza contar do que nesta terra vi.
Deste Porto Seguro, de vossa Ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
(Pero Vaz de Caminha)

Carta ao rei D. Manuel, comunicando o achamento da ilha de Vera Cruz.
A Carta é exemplo do deslumbramento do europeu diante do Novo Mundo. Contudo, apresenta informações equivocadas.

Em princípio, Caminha se desculpa pela Carta, a qual considera "inferior". O escrivão documenta os traços de terra e o momento de vista da terra (quando se avistou o Monte Pascoal, a que deu-se o nome de Terra de Vera Cruz).

Os portugueses seguem até à praia, onde acontece o primeiro contato com os índios, quando os portugueses praticam o primeiro escambo com os índios brasileiros. Menciona-se também o pau-brasil e é narrada a Primeira Missa na nova terra.

QUINHENTISMO – 1º período da era COLONIAL: de 1500 a 1600 +/- (século XVI -16)

TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO - BABY CONSUELO (DO BRASIL) / JORGE BEN JOR - 19 DE ABRIL

Curumim,chama Cunhatã
Que eu vou contar

Curumim,chama Cunhatã
Que eu vou contar

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Cunhatã
Cunhatã,Curumim

Antes que o homem aqui chegasse
Às Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis

Pois todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Amantes da natureza
Eles são incapazes
Com certeza
De maltratar uma fêmea
Ou de poluir o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra,fauna e flora

Pois em sua glória,o índio
É o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria

Da alegria de viver!
Da alegria de viver!

E no entanto,hoje
O seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Cunhatã
Cunhatã,Curumim

Terêrê,oh yeah!
Terêreê,oh!

Composição: Antonio Nóbrega

Sou Pataxó,
sou Xavante e Cariri,
Ianonami, sou Tupi
Guarani, sou Carajá.
Sou Pancararu,
Carijó, Tupinajé,
Potiguar, sou Caeté,
Ful-ni-o, Tupinambá.
Depois que os mares dividiram os continentes
quis ver terras diferentes.
Eu pensei: "vou procurar
um mundo novo,
lá depois do horizonte,
levo a rede balançante
pra no sol me espreguiçar".
eu atraquei
num porto muito seguro,
céu azul, paz e ar puro...
botei as pernas pro ar.
Logo sonhei
que estava no paraíso,
onde nem era preciso
dormir para se sonhar.
Mas de repente
me acordei com a surpresa:
uma esquadra portuguesa
veio na praia atracar.
De grande-nau,
um branco de barba escura,
vestindo uma armadura
me apontou pra me pegar.
E assustado
dei um pulo da rede,
pressenti a fome, a sede,
eu pensei: "vão me acabar".
me levantei de borduna já na mão.
Ai, senti no coração,
o Brasil vai começar


QUINHENTISMO – 1º período da era COLONIAL: de 1500 a 1600 +/- (século XVI -16)

O QUINHENTISMO – recebe este nome, por abranger os anos de 1500 até 1599

Durante o Quinhentismo no Brasil, Portugal estava no Classicismo

Em 1500 o Brasil foi descoberto por portugueses que faziam parte de alguma expedição das “grandes navegações”: interessadas em descobrir novos caminhos pelo mar (marítimos) para chegar às Índias, novas terras para colonizar (dominar e explorar), novos produtos comercializáveis e altamente rentáveis (especiarias).

Especiaria(s) - é um material, geralmente de origem vegetal, aromático, utilizado originalmente na conservação de alimentos. As plantas de origem das especiarias são usualmente espécies tropicais, embora isto não seja uma regra. EX.: condimentos (pimenta, cravo, canela, noz-moscada, etc...)

Dizem que o Brasil foi descoberto por acidente. Pois um mau tempo, uma tormenta/tempestade tirou as embarcações de seu curso de origem. Tiveram problemas com a falta de alimentação e estoque de água doce, daí precisaram aportar no primeiro lugar de “terra à vista”, seguro. Não é a toa que esse lugar se chamou PORTO SEGURO, em Salvador – Bahia (corruptela de BAÍA)
Baía - são, normalmente, locais ideais para construção de portos e docas, ou seja, perfeitos para aportar navios sem encalhar.

Por isso, a 1ª capital do Brasil foi SALVADOR - BAHÍA

Quando aqui aportaram pensaram ter chegado em/a algum lugar da Índia, daí o nome de índios aos nossos selvagens/silvícolas.

Não encontraram especiarias, mas encontraram o “pau-brasil”, uma planta nativa da qual se extrai uma tintura vermelha muito apreciada comercialmente, na época. Daí ter sido o 1º produto de exploração.

Pau-brasil: pau de brasa/cor de brasa (de fogo, vermelho)

Brasil: em homenagem ao pau de brasa.

O QUINHENTISMO - 1ª escola literária do/no Brasil, mas não foi feita/escrita por “brasileiros”, uma vez que aqui só existiam índios (que não sabiam ler nem escrever).

Não houve comunicação imediata entre brancos e índios, pois falavam o TUPI-GUARANI.

Houve um choque cultural de pronto, desde o primeiro momento do encontro entre europeus e índios. Um dos maiores foi o fato de os índios serem PAGÃOS (não cristãos) e POLITEÍSTAS (acreditavam em vários deuses)

POLI = muitos/vários

TEÍSTA = TEO = DEO = DEUS/divindade

Havia um interesse dos portugueses em dominá-los para usá-los em trabalhos pesados, como a derrubada das árvores, entre outros serviços domésticos ou não. Daí foram considerados a 1ª mão-de-obra (de trabalho). Alguns brancos os dominavam pelo medo/à força, outros pelo ESCAMBO.

Escambo – tipo de comércio direto de um serviço/trabalho pesado por um objeto de pouco valor, mas que para os índios (que não o conheciam e o admiravam) era valioso, EX: espelhos, pentes...

Nos primeiros tempos os portugueses permaneceram apenas na zona litoral do Brasil, pois não se atreveram a enfrentar as feras selvagens do interior das matas/florestas

Nesse período, muitos brancos se envolveram com as índias e formaram a 1ª geração miscigenada/mestiça: CABOCLO ou MAMELUCO = BRANCO + ÍNDIO

* Os caboclos dominavam a cultura (conhecimentos e hábitos) dos brancos e dos indígenas.

Por volta de 1549/1550, os portugueses mandaram vir de Portugal os JESUÍTAS (padres) para catequizar os índios, ou seja, torna-los católicos/cristãos MONOTEÍSTAS (crença em um Deus só) e alfabetizá-los: ensinar a ler e escrever (através da bíblia) na/a língua portuguesa e aprender o TUPI-GUARANI), processo muito difícil e demorado.

MONO = um/único

TEÍSTA = TEO = DEO = DEUS/divindade

A produção literária desse tempo foi de 2 tipos: de DOCUMENTAÇÃO = de viagens e CATEQUÉTICA = de catequese.

A literatura de viagens ou documental – era baseada em registros, roteiros, diários de bordo feitos pelos escrivãos que tratavam/falavam à respeito dos acontecimentos durante as viagens das “grandes navegações”, das rotas/caminhos marítimos, das novidades encontradas em terra firme como os diferentes tipos de fauna e flora, as condições atmosféricas de clima e temperatura, acidentes geográficos da costa e todos os elementos que pudessem facilitar a repetição e prosseguimento dos novos percursos. Em outras palavras, eram documentos técnicos para orientação náutica.

O principal escrivão/autor/escritor da época foi PERO VAZ DE CAMINHA e sua principal obra foi A CARTA DE CAMINHA, que falava sobre o “achamento” do Brasil

A literatura de catequese ou catequética – eram baseadas em obras de cunho religioso que eram usadas para alfabetizar os índios. O principal autor/escritor da época foi o PADRE JOSÉ DE ANCHIETA. Outro foi o PADRE MANUEL DA NÓBREGA

AS LÍNGUAS GERAIS DO BRASIL –

Para povoar a capitania de São Vicente, região que daria origem à província de São Paulo, foram enviados grupos de Colonos portugueses, que em geral passavam a viver com as índias locais. Desse convívio resultou uma geração mestiça (MAMELUCA), que falava a língua materna, ou seja, o TUPI.

Com o passar do tempo e o crescimento dos povoados, a comunicação entre os membros dessa sociedade – índios, mamelucos e portugueses – acabou gerando uma língua franca, de base tupi, que receberia o nome de língua geral paulista. Tal língua caiu em desuso na segunda metade do século XVIII(18)

Durante cerca de dois séculos, essa língua predominou na província de São Paulo e generalizou-se. Os padres jesuítas difundiram seu uso na catequização de índios e os bandeirantes, em suas incursões pelo Brasil.

Em meados do século XVII(17), durante a colonização da Amazônia, repetiram-se muitas das condições para que ali também surgisse uma língua franca, de base TUPINAMBÁ, chamada de língua geral amazônica ou NHEENGATU (fala boa). Tal língua é falada até hoje por cerca de 8 mil brasileiros.

A PARTIR DO SÉCULO XVI(16) AS 3 CORRENTES EUROPÉIA, INDÍGENA (TUPI) E AFRICANA (NÍGER-CONGO) SE ENCONTRAM E SE UNEM PARA FORMAR O PORTUGUÊS DO BRASIL.





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Wikipedia

Resultados da pesquisa

Seguidores

VIDE - OS

Loading...