quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Nonato Luiz




Rubi Grená

Fagner

Deve ser diamante o teu coração
Lapidar-te é o trabalho de um artesão
Arte oficio profana religião
Todo ardor no labor da canção
O poeta descreve a iluminação
Os teus olhos brilhando na escuridão
São faróis oue orientam a embarcação
Teu luar ilumina a canção
Garimpando nos rios da solidão
O destino me fez te encontrar minha alga-marinha
Meu céu no fundo do teu olhar
Sai um raio, uma aurora, um clarão
As guitarras lapidam nossa emoção
Dedos ferem as cordas com som
Na oficina da vida
O amor é como um rubi grená
Precioso e mais puro não há



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Nonato Luiz (Lavras da Mangabeira, 1953) é um violonista brasileiro.

Raimundo Nonato de Oliveira – Nonato Luiz – é um renomado compositor e violonista cearense, dono de uma obra musical com atualmente cerca de 540 composições. Seu repertório violonístico contempla desde gêneros e estilos “universais” (valsas, minuetos, prelúdios, estudos) e estrangeiros (blues, flamenco) até os gêneros tipicamente nordestinos (baiões, xotes e frevos). Devido ao seu convívio com a música erudita, iniciado na adolescência, e sua admiração especial pela música barroca, observa-se que, além de todas as linguagens musicais citadas, muitas de suas peças guardam também fortes relações com esse universo musical. Seu primeiro álbum foi lançado em 1980 e, atualmente, sua discografia é composta por mais de 30 discos gravados. Muitos deles são autorais, onde Nonato apresenta-se como solista de suas peças. Em outros, tanto explora obras de renomados compositores, arranjando-as para o violão, quanto divide parcerias com instrumentistas ou cantores. Como concertista, possui uma carreira internacional consolidada, por apresentar-se em várias partes do mundo, principalmente pelo continente europeu, por onde excursiona todos os anos. Recepção especial ocorre em alguns países como Alemanha, França e Áustria. Neste último, apresenta-se desde 1985 no Mozarteum, sala dos grandes instrumentistas do mundo, localizada em Salzburg, terra natal de W.A. Mozart.

Índice

[esconder]

[editar] Origens

Nasceu no ano de 1953, em Aroeiras, um vilarejo pertencente ao município de Lavras da Mangabeira, região do Cariri, sul do estado do Ceará. Nessa localidade, em uma família de onze irmãos, se criou Raimundo Nonato de Oliveira. Seu pai, o Sr. Pedro Luiz o incentivou desde bem cedo, entre os três e quatro anos de idade, a se dedicar à música, presenteando-o com seu primeiro instrumento: o cavaquinho.

Ainda na infância em Mangabeira, Nonato manteve contato frequente com a música, tanto ouvindo rádio quanto observando os “tocadores” que apareciam por lá. Esses músicos que marcaram sua infância eram, na maioria, sanfoneiros que animavam as festas promovidas nessa localidade, num tipo de manifestação bastante típica do interior do nordeste.

Quando tinha onze anos de idade, sua família mudou-se para Fortaleza, capital do estado, lá encontrando melhores oportunidades.

Por volta dos treze anos, Nonato iniciou o estudo do violino no Conservatório Alberto Nepomuceno em Fortaleza. Lá praticou leitura e técnica do instrumento e apesar de receber orientações, ele lembra que, naquela época, já era muito intuitiva sua maneira de tocar. Desenvolveu-se rapidamente no instrumento, tanto que foi convidado pelo maestro Orlando Leite a participar da Orquestra Sinfônica Henrique Jorge. Permaneceu nela por cerca de dois anos, estudando um repertório sinfônico constituído por obras de Mozart, Beethoven, entre outros. Atuou nesta orquestra por uns dois anos até ver que o violão era o instrumento com o qual se identificava mais.

[editar] O encontro com o violão

Ao se decidir pelo violão, Nonato seguiu compondo para o instrumento. Algumas de suas primeiras peças seriam gravadas anos mais tarde em seu primeiro disco Terra.

No ano de 1975, Nonato fez sua primeira viagem ao sudeste e em São Paulo ganhou o 1° Prêmio de um concurso de violonistas da extinta TV Tupi, interpretando um estudo de sua autoria.

Dois anos depois, em 1977, voltou a São Paulo para participar, ainda como aluno, do Festival de Música de Campos do Jordão. Lá conheceu o renomado violonista maranhense Turíbio Santos, que Nonato considera uma pessoa de grande importância em seu início de carreira sendo que até hoje mantém amizade.

Nesse mesmo ano, ingressou no curso de Licenciatura em Música da Universidade do Estado do Ceará. Cursou cerca de dois anos da faculdade, mas sentia que não era o que ele queria para si. O que realmente desejava era continuar compondo e poder divulgar suas músicas.

Em 1978, conheceu o violonista carioca Darcy Villa-Verde que estava de passagem por Fortaleza, no meio de uma longa turnê pelo Brasil. Este foi um momento crucial para a carreira de Nonato, pois foi convidado por Darcy a seguir excursionando com ele pelo resto da temporada Brasil afora, abrindo seus concertos.

Após essa turnê, que lhe rendeu grande experiência como concertista, retornou a Fortaleza. Porém, havia a necessidade de atuar em uma região que lhe desse melhor visibilidade. Estava de certa forma sendo cobrado e apoiado por muitos a transferir-se para o Rio de Janeiro. Em busca de melhores oportunidades, partiu para lá no mesmo ano, vivendo a princípio sob grandes dificuldades.

Para manter-se financeiramente e se inserir no mercado musical carioca, Nonato Luiz tocou por muito tempo nas noites da capital, atuando em diversos bares e restaurantes, como exemplo o lendário “Chico’s Bar”.

Nesse final de década, Nonato já se encontrava bastante atuante no Rio de Janeiro, acompanhando artistas, participando de rodas de Choro e inclusive ministrando aulas particulares de violão para complementar sua renda. Só que começava a sentir necessidade de gravar um disco com suas próprias composições, já que possuía um bom número delas, prontas para serem levadas a estúdio.

[editar] Nonato Luiz através de seus discos

A partir do momento em que gravou seu primeiro disco, Nonato não mais parou de lançar trabalhos, possuindo atualmente uma média de lançamento de mais de um disco por ano.

Seu primeiro registro deu-se em 1979 quando Nonato participou do disco Violão de Ouro, lançado pela Som Livre. O projeto foi fruto de um festival de violão de mesmo nome, no qual Nonato participara no ano anterior. Entre muitos violonistas que gravaram para esse álbum, é ele quem abre o disco com duas de suas composições: “Micheline” e “Allegro Concertante”.

Mas seu primeiro trabalho solo, o LP Terra, é lançado em 1980 pela CBS (atual Sony Music). É um disco essencialmente violonístico, mas nele há as participações de Fagner e João Donato. Importante lembrar que alguns dos clássicos do compositor já se encontram neste disco, como "Mosaico", "Reflexões Nordestinas", "Choro Acadêmico" entre outras.

O segundo trabalho de Nonato Luiz, Diálogo, foi feito em parceria com o violonista francês Pedro Soler. O LP, também lançado pela CBS, foi gravado no ano de 1982 ao vivo na Sala Cecília Meireles no Rio. Nesse trabalho, os dois violonistas fundem a linguagem do flamenco com a da música brasileira.

Como foi dito, Nonato atuou por um bom tempo nas “noites cariocas”, tocando em bares e restaurantes da capital de forma solo ou acompanhando cantores. No Chico’s Bar foi em certa ocasião assistido por um produtor musical sul-africano que, admirado com seu estilo, o convidou imediatamente para ir a Johannesburgo, África do Sul, gravar um disco. Aceitando imediatamente Nonato viaja para o país e grava em 1984 o álbum intitulado Nonato Luiz, pelo selo S.A.B.C.

Nos anos de 1984-85, Nonato morou na França. Em 1985, realizou sua primeira turnê europeia, tocando por países como Itália, França e Áustria. Nessa primeira temporada conheceu a empresária de Pedro Soler, a austríaca Rita Armstorfer. Desde então, ela é sua empresária na Europa, e até hoje promove anualmente uma turnê, em que Nonato se apresenta por todo o continente.

Logo em seguida, retornou ao Brasil, e participou de discos e shows de diversos artistas da Música Popular Brasileira, entre eles Fagner, Nara Leão, Chico Buarque e Luiz Gonzaga.

No ano de 1988, lançou dois discos, o primeiro, Guitarra Brasileira traz composições próprias e no segundo, Fé Cega, Nonato faz uma “leitura violonística” de canções de Milton Nascimento. Posteriormente, em 1991, esse mesmo álbum foi relançado sob o nome Milton Nascimento by Nonato Luiz com adição de faixas.

O LP Mosaico foi gravado na Alemanha em 1989, no período em que realizava outra temporada européia, passando por Áustria, Alemanha, Itália e França.

No ano de 1991 realizou diversos trabalhos. Uma nova turnê pela Europa e a gravação do disco Retrato do Brasil, em Colônia – Alemanha e lançado primeiramente apenas na Europa. Também neste ano gravou Gosto de Brasil em trio com o baixista Luiz Alves e com o percussionista Djalma Corrêa.

A parceria seguinte foi com o pianista mineiro Túlio Mourão, gravando em 1992 o álbum Carioca. Esse trabalho apresenta, em duo violão-piano, composições de ambos como "Teia de Renda" e "Uma Vez Romance", de Túlio Mourão e "Mangabeira" e "Carioca", dois dos choros mais conhecidos de Nonato. Foi distribuído nos Estados Unidos pela Millestones, uma das mais importantes gravadoras americanas de Jazz.

Seguiu no ano seguinte com o álbum Reflexões Nordestinas, produzido pelo próprio compositor e lançado pelo selo Brazilian Touch Records. Contendo somente composições próprias, o disco foi posteriormente relançado duas vezes. Na terceira, em produção independente, inclui novas gravações de peças já conhecidas e algumas inéditas, como o choro "Rio Reno".

No próximo trabalho, Nonato Luiz homenageia um dos maiores símbolos da cultura nordestina: Luiz Gonzaga. Assim, em 1994 grava Nonato Luiz interpreta Luiz Gonzaga, produzido por Raimundo Fagner e Robertinho do Recife. Com arranjos para violão, percussão e acordeom, o disco explora parte da obra de Gonzaga como "Xote da Meninas", "Estrada de Canindé" e "Sabiá", entre outras.

Ainda em 1996, lança pelo selo CID Violão em Serenata, considerado como um dos mais aclamados discos da carreira de Nonato Luiz onde apresenta adaptações para violão de obras do cancioneiro popular como "A deusa da minha rua", "Ontem ao luar", "Valsinha", não deixando de também conter peças autorais.

O ano de 1999 foi bastante significativo para a discografia do compositor por terem sido lançados três discos e ainda pelo relançamento Mosaico.

O primeiro, Os Bambas do Violão, é uma coletânea lançada pela Kuarup em 1999, que reúne alguns dos maiores nomes do violão brasileiro.

No segundo trabalho, Nonato Luiz dedica um disco exclusivamente ao Choro. Esse trabalho chama-se O Choro da Madeira, e nele o violonista apresenta quinze choros, sendo nove de sua autoria e o restante de outros compositores.

No período de promoção do disco, Nonato Luiz realizou uma apresentação no Rio de Janeiro e lá ocorreu um fato marcante: Antes do show, no momento da passagem do som, surgiu Baden Powell, que ao ver Nonato tocando se encantou e foi ao seu encontro dizendo “Aqui está meu sucessor!” Para Nonato, foi uma honra enorme, pois Baden Powell sempre foi seu violonista preferido.

Ainda em 1999, Nonato realiza uma tarefa inusitada: traduzir para a linguagem do violão, alguns clássicos dos Beatles. Esse trabalho, intulado Nonato Luiz toca Beatles, é provavelmente, um dos mais conhecidos de sua carreira, sendo bastante respeitadas no mundo todo suas interpretações para "Let It Be", "Michele" e "Yesterday".

Outra faceta que Nonato Luiz apresenta é a de compositor de canções, feitas em parceria com alguns poetas. De suas composições conhecidas temos "Quixeramobim" e "Baião de Rua" (ambas com letras de Fausto Nilo), bastante conhecidas na voz de cantores como Fagner. Em 2000, lança com o poeta carioca Abel Silva, o disco Baú de Brinquedos, no qual o poeta canta e Nonato acompanha ao violão, canções exclusivamente feitas nesta parceria.

No mesmo ano se une ao cantor pernambucano Fernando Rocha para gravar Palavra Nordestina, em que Nonato acompanha ao violão a voz aveludada e encorpada de Fernando, com temas do cancioneiro nordestino. Ainda neste ano, foi lançado o livro Dez Choros, caderno de partituras de choros de Nonato, editado pela Oficina da Palavra de Teresina-PI.

O disco Ceará, de 2001, soa como uma homenagem e ao mesmo tempo, como um proposta de revalorização dos compositores cearenses. Nele, o violonista faz sua leitura das músicas de Alberto Nepomuceno, Francisco Soares, Ednardo, Belchior, Zivaldo, Cirino entre outros, além de incluir duas composições próprias, o choro Melancólica e Valsa Latina.

O disco Canções, de 2003 foi um projeto em que Nonato teve suas canções interpretadas por grandes nomes da música brasileira como Fagner, Geraldo Azevedo, Paulinho Pedra Azul, Belchior, Ednardo além de outros.

Com Baião Erudito. A música de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, em 2004, o violonista realiza outra homenagem à música nordestina num disco bastante elogiado. A grande aceitação se deve principalmente, aos arranjos para violão de clássicos dessa dupla de compositores nordestinos como em "Vem Morena" e "Adeus Maria Fulô". Posteriormente, foi lançado um livro com as partituras dos arranjos para violão desse disco, chamado Baião Erudito.

No mesmo ano, o violonista grava novamente um disco só com choros. Choro em Sonata é o nome do álbum onde todas as peças são de autoria de Nonato Luiz. Algumas faixas são inéditas como "Choro Antigo", "Choro da Madeira n°2", "Choro em Sonata", e "Afonsina", (esta última, em homenagem à sua esposa), e outras são regravações com novas interpretações, sendo que algumas apresentam a inserção de novos elementos. Isso demonstra que o compositor está sempre “recompondo” suas próprias músicas.

O próximo disco, Nonato Luiz e Antônio José Forte, é lançado também em 2004, novamente em duo violão-piano. Nesse álbum são apresentadas composições de ambos e arranjos de clássicos da música brasileira.

Em 2006, Nonato Luiz é agraciado com a Medalha da Abolição pelo então Governador do Estado do Ceará, Lúcio Alcântara, em reconhecimento a sua importância como divulgador do violão brasileiro e da música nordestina.

Do último disco gravado até o próximo em 2009, houve um hiato de cinco anos. Durante esse período, Nonato manteve-se viajando, lançando livros de partituras, fazendo shows pelo Brasil, Europa, Estados Unidos. Em 2005, lecionou na Universidade da Flórida/EUA e em 2007 se apresentou na Coréia do Sul em um festival de violão. Também realizou o lançamento de Suíte Sexta em Ré para Guitarra, livro de partituras editado pela Henry Lemoine, uma importante editora musical francesa.

Em fevereiro de 2008, ministrou no Festival Internacional de Violão do Piauí, a palestra Os procedimentos Composicionais de Nonato Luiz, em que expôs parte de seu método criativo. Em julho, excursionou em turnê pelos Estados Unidos.

Em 2009 o violonista entrou por três vezes em estúdio, gravando dois discos em duo e um solo. As parcerias foram com Túlio Mourão, no disco Mangabeira, e com o acordeonista Adelson Viana no álbum intitulado Dobrado.

Em trabalho solo registrou Estudos, Peças e Arranjos, um disco que traz seis estudos, dois arranjos além de outras peças autorais em variados estilos entre eles frevo, choro, valsas, sendo quase todas inéditas e algumas compostas recentemente. Será lançado no ano de 2010 e além do disco será posteriormente publicado um livro de partituras contendo todas as músicas do disco.

Todo este percurso, traçado pelo violonista, projeta a imagem de um artista que alcançou seu patamar unicamente por meio de sua arte e seu carisma. Sem nenhum auxílio governamental ou da mídia “massiva”, Nonato Luiz segue carregando a bandeira da música brasileira e nordestina, ao mesmo tempo em que produz uma arte de dimensões universais.

[editar] Discografia

  • 1980 - Terra
  • 1982 - Diálogo [com Pedro Soler]
  • 1983 - Johannesburgo
  • 1985 - Violão Brasileiro
  • 1987 - Guitarra Brasileira
  • 1990 - Fé Cega - Nonato Luiz Toca Milton Nascimento
  • 1991 - Gosto de Brasil [com Luiz Alves e Djalma Corrêa]
  • 1992 - Carioca [com Túlio Mourão]
  • 1993 - Reflexões Nordestinas
  • 1994 - Nonato Luiz Interpreta Luiz Gonzaga
  • 1996 - Violão em Serenata
  • 1996 - Nave do Futuro [com Alex Holanda]
  • 1996 - Filhos do Solo [com Manassés e Waldonys]
  • 1997 - Reflexões Nordestinas
  • 1999 - Mosaico
  • 1999 - O Choro da Madeira
  • 1999 - Retrato do Brasil
  • 1999 - Nonato Toca Beatles
  • 2000 - Baú de Brinquedos [com Abel Silva]
  • 2000 - Palavra Nordestina [com Fernando Rocha]
  • 2001 - Ceará
  • 2003 - Canções
  • 2003 - Nordeste Ao Vivo no Mistura Fina [com Fernando Rocha]
  • 2004 - Choro em Sonata
  • 2004 - Nonato Luiz & Antônio José Forte
  • 2004 - Baião Erudito
  • 2009 - Mangabeira [com Túlio Mourão]
  • 2009 - Dobrado [com Adelson Viana]
  • 2010 - Estudos, Peças e Arranjos

[editar] Referências

LUIZ, Nonato. Dez Choros. Oficina da Palavra. Teresina. 2000.

http://www.clubedigiorgio.com.br/entrevistas.php?id=12

[editar] Ligações Externas

http://www.myspace.com/nonatoluiz

http://www.nonatoluiz.com.br/

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