quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lêdo Ivo

Minha pátria não é a língua portuguesa.
Nenhuma língua é a pátria.
Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci
e o vento que sopra em Maceió.
São os caranguejos que correm na lama dos mangues
e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando
[sonho.
Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas
[carcomidas,
os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar,
e o céu encurvado pelas constelações.
Minha pátria são os apitos dos navios
e o farol no alto da colina.
Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa.
São os estaleiros apodrecidos
e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos
[e impaludados não param de
[tossir e tremer nas noites frias
e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários
e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores
e as résteas de cebola enrodilhadas na treva
e a chuva que cai sobre os currais de peixe.
A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria.
Nenhuma língua enganosa é a pátria.
Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre pátria
[muda,
minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem dicionário,
minha pátria sem língua e sem palavras.

(...)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde outubro de 2010).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirus. Veja como referenciar e citar as fontes.

Lêdo Ivo Academia Brasileira de Letras
Nascimento 18 de fevereiro de 1924 (87 anos)
Maceió, Alagoas
Nacionalidade Brasileiro
Ocupação Jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta

Lêdo Ivo[1] (Maceió, 18 de fevereiro de 1924), filho de Floriano Ivo e Eurídice Plácido de Araújo Ivo é um jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta brasileiro.

Seu primeiro livro foi As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta.

É membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.

Índice

[esconder]

[editar] Discurso de Posse

Lêdo Ivo foi eleito em 13 de novembro 1986, na sucessão de Orígenes Lessa e recebido em 7 de abril de 1987 pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa. Eis o 1º parágrafo de seu discurso de posse[2], já como membro da Academia Brasileira de Letras:


"Numa tarde de outono, um homem caminha pelas ruas de Londres. O frio e o vento o obrigam a encolher-se no seu sobretudo. Sozinho e desconhecido na metrópole que Verlaine comparou à Babilônia, esse homem é um exilado, expulso de sua pátria por um caudilho taciturno. E enquanto ele marcha entre as folhas que caem, em seu espírito flui a interminável reflexão sobre o seu país que, no outro lado do oceano, vive as turbulências do dissídio e do desencontro.
Esta é a imagem que me ocorre de Rui Barbosa, o fundador da Cadeira nº 10: a do exilado."


[editar] Bibliografia

Conjunto da obra de Lêdo Ivo[3]

[editar] Poesia

  • As imaginações. Rio de Janeiro: Pongetti, 1944;
  • Ode e elegia. Rio de Janeiro: Pongetti, 1945;
  • Acontecimento do soneto. Barcelona: O Livro Inconsútil, 1948;
  • Ode ao crepúsculo. Rio de Janeiro: Pongetti, 1948;
  • Cântico. Ilustrações de Emeric Marcier. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1949;
  • Linguagem: (1949-19041). Rio de Janeiro, J. Olympio, 1951;
  • Ode equatorial. Com xilogravuras de Anísio Medeiros. Niterói: Hipocampo, 1951;
  • Acontecimento do soneto. Incluindo Ode à noite. Introdução de Campos de Figueiredo. 2. ed. Rio de Janeiro: Orfeu, 1951;
  • Um brasileiro em Paris e O rei da Europa. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1955;
  • Magias. Rio de Janeiro: Agir, 1960;
  • Uma lira dos vinte anos (contendo: As imaginações, Ode e elegia, Acontecimento do soneto, Ode ao crepúsculo, A jaula e Ode à noite). Rio de Janeiro: Liv. São José, 1962;
  • Estação central. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1964;
  • Rio, a cidade e os dias: crônicas e histórias. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965;
  • Finisterra. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1972;
  • O sinal semafórico (contendo: de As imaginações à Estação central). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1974;
  • O soldado raso. Recife: Edições Pirata, 1980;
  • A noite misteriosa. Rio de Janeiro: Record, 1982;
  • Calabar. Rio de Janeiro: Record, 1985;
  • Mar Oceano. Rio de Janeiro: Record, 1987;
  • Crepúsculo civil. Rio de Janeiro: Topbooks, 1990;
  • Curral de peixe. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995;
  • Noturno romano. Com gravuras de João Athanasio. Teresópolis: Impressões do Brasil, 1997;
  • O rumor da noite. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2000;
  • Plenilúnio. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004;
  • Réquiem, Rio de Janeiro: A Contracapa, 2008.
  • Poesia Completa - 1940-2004. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004;
  • Réquiem. Com pinturas de Gonçalo Ivo e desenho de Gianguido Bonfanti. Rio de Janeiro: editora Contra Capa, 2008.


[editar] Antologias

  • Antologia Poética. Rio de Janeiro: Ed. Leitura, 1965.
  • O Flautim. Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1966.
  • 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: MEC, 1966.
  • Central Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1976.
  • Os Melhores Poemas de Lêdo Ivo. São Paulo: Ed. Global, 1983. (2.a edição, 1990).
  • 10 Contos Escolhidos. Brasília: Ed. Horizonte, 1986.
  • Cem Sonetos de Amor. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1987.
  • Antologia Poética. Organização de Walmir Ayala; introdução de Antonio Carlos Vilaça. Rio de Janeiro: Ediouro, 1991.
  • Os Melhores Contos de Lêdo Ivo. São Paulo: Global Editora, 1995.
  • Um Domingo Perdido (contos). São Paulo: Global Editora, 1988.
  • Poesia Viva. Recife: Editora Guararapes, 2000.
  • Melhores Crônicas de Lêdo Ivo. Prefácio e notas de Gilberto Mendonça Teles. São Paulo: Global Editora, 2004.
  • 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2004.
  • Cem Poemas de Amor. São Paulo: Escrituras Editora, 2005.
  • O vento do mar. Rio de Janeiro: Contracapa/ABL, 2010.


[editar] Romance

  • As Alianças (Prêmio da Fundação Graça Aranha). Rio de Janeiro: Agir, 1947; 2.a ed., Rio, Editora Record, 1982; 3.a ed., Coleção Aché dos Imortais da Literatura Brasileira. São Paulo: Editora Parma, 1991; 4ª edição, Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.
  • O Caminho Sem Aventura. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1948; 2.a ed. revista (com xilogravuras de Newton Cavalcanti), Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1958; 3.a ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 1983.
  • O Sobrinho do General. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964; 2.a ed., Editora Record, 1981.
  • Ninho de Cobras (V Prêmio Walmap). Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1973; 2.a ed., Editora Record, 1980; 3.a ed. Editora Topbooks, 1997; 4ª ed. Maceió: Editora Catavento.
  • A Morte do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Record, 1984; 2.a ed., São Paulo: Círculo do Livro, 1990; 3ª Edição, Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.


[editar] Conto

  • Use a passagem subterrânea. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1961;
  • O flautim. Rio de Janeiro: Bloch, 1966;
  • 10 [dez] contos escolhidos. Brasília: Horizonte, 1986;
  • Os melhores contos de Lêdo Ivo. São Paulo: Global, 1995;
  • Um domingo perdido. São Paulo: Global, 1998.


[editar] Crônica

  • A cidade e os dias. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1957;
  • O navio adormecido no bosque. São Paulo: Duas Cidades, 1971;
  • As melhores crônicas de Lêdo Ivo. Prefácio e notas de Gilberto Mendonça Teles. São Paulo: Global, 2004.


[editar] Ensaio

  • Lição de Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1951;
  • O preto no branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1955;
  • Raimundo Correia: poesia (apresentação, seleção e notas). Rio de Janeiro: Agir, 1958;
  • Paraísos de papel. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961;
  • Ladrão de flor. Capa de Ziraldo Rio de Janeiro: Elos, 1963;
  • O universo poético de Raul Pompéia. Em apêndice: Canções sem metro, e Textos esparsos [de Raul Pompéia]. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1963;
  • Poesia observada. (Ensaios sobre a criação poética, contendo: Lição de Mário de Andrade, O preto no branco, Paraísos de papel e as seções inéditas Emblemas e Convivências). Rio de Janeiro: Orfeu, 1967;
  • Modernismo e modernidade. Nota de Franklin de Oliveira. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1972;
  • Teoria e celebração. São Paulo: Duas Cidades, 1976;
  • Alagoas. Rio de Janeiro: Bloch, 1976;
  • A ética da aventura. Rio de Janeiro: F. Alves, 1982;
  • A república da desilusão. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995;
  • O Ajudante de Mentiroso. Rio de Janeiro:Educam/ABL, 2009.
  • João do Rio. Rio de Janeiro: ABL, 2009.


[editar] Autobiografia

  • Confissões de um poeta. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1979;
  • O aluno relapso. São Paulo: Massao Ohno, 1991.


[editar] Literatura Infanto-juvenil

  • O canário azul. São Paulo: Scipione, 1990;
  • O menino da noite. São Paulo: Companhia. Editora Nacional, 1995;
  • O rato da sacristia. São Paulo: Global, 2000;
  • A história da Tartaruga. São Paulo: Global, 2009.


[editar] Edição Conjunta

  • O Navio Adormecido no Bosque (reunindo A Cidade e os Dias e Ladrão de Flor). São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1971.


[editar] Traduções

Traduções de títulos internacionais feitas por Lêdo Ivo

  • AUSTEN, Jane. A Abadia de Northanger. Rio de Janeiro: Editora Pan-Americana, 1944. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1982.
  • MAUPASSANT, Guy de. Nosso Coração. São Paulo: Livraria Martins, 1953.
  • RIMBAUD, Jean-Artur. Uma Temporada no Inferno (Une Saison en enfer) e Iluminações (Illuminations) (tradução, introdução e notas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1957. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 2004.
  • DOSTOIEVSKI, Fiodor M. O Adolescente. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1960.
  • GOES, Albrecht. O Holocausto. Rio de Janeiro: Agir, 1960.


[editar] Sobre Lêdo Ivo

Conjunto de obras que falam sobre Lêdo Ivo

  • RENNÓ, Elizabeth. A Aventura Poética de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1989. (Coleção Afrânio Peixoto, vol. 11.)
  • SANT’ANA, Moacir Medeiros de. Lêdo Ivo de Corpo Inteiro. Maceió: Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas, 1995.
  • NUNES, Cassiano. Multiplicidade de Lêdo Ivo. Penedo: AL. Fundação Casa de Penedo, 1995.
  • ALMEIDA, Leda. Labirinto de Águas. Imagens literárias e biográficas de Lêdo Ivo. Maceió: Edições Catavento, 2002.
  • FRIAS, Rubens Eduardo Ferreira. A Raposa sem as Uvas. Uma leitura de Ninho de cobras de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004. (Coleção Austregésilo de Athayde, vol. 17.)
  • BRASIL, Assis. A Trajetória Poética de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.
  • FERNANDES, Ronaldo Costa. Considerações sobre um poeta: Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: separata da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras, 2008.
  • MICCOLIS, Leila. Passagem de Calabar. Rio de Janeiro: Topbooks, 2009.


[editar] Condecorações

  • Ordem do Mérito dos Palmares, no grau de Grã-Cruz
  • Ordem do Mérito Militar, no grau de Oficial
  • Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador
  • Medalha Manuel Bandeira
  • Cidadão honorário de Penedo, Alagoas
  • Grande Benemérito do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro
  • Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Alagoas
  • Pertence ao PEN Clube Internacional, sediado em Paris


[editar] Manifesto

Durante a reunião da Academia Brasileira de Letras em 4 de Agosto de 2011, Lêdo Ivo leu aos colegas um libelo, um manifesto contra a inquietação na plateia promovida por seu desafeto, o também imortal Eduardo Portella[4] durante um discurso que fez dias antes, numa conferência em homenagem a Gonçalves de Magalhães. Eis o discurso na íntegra[5]:


Sr. Presidente,
Senhoras Acadêmicas,
Senhores Acadêmicos,


Nesta Academia, como em todas as corporações que se regem pelas normas da civilização, da boa educação, da polidez e da conviviabilidade, o silêncio do auditório, durante a fala de um dos seus integrantes, é um princípio pétreo.
Esse princípio, Sr. Presidente, foi vulnerado quinta-feira última, quando eu estava falando sobre Gonçalves de Magalhães.
Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.
Momentos antes, Sr. Presidente, V. Exa. exarava o seu zelo por esta Casa versando sobre a quilometragem exorbitante de um dos táxis que servem aos acadêmicos do plenário e que, em seu alto juízo, golpeava as burras fartas desta Academia, a mais rica do mundo.
Esse zelo, que é louvável, ou extremamente louvável, se cingiu na sessão de quinta-feira última, a um inquietante item monetário, e não voltou a florescer quando um dos mais antigos integrantes desta Casa discorria sobre Gonçalves de Magalhães.
Entendo que era dever inarredável de V. Exa. impor então ao auditório o silêncio de praxe, exercendo plenamente a sua Presidência. Esse entendimento, aliás, não é só meu -mas ainda o de outros companheiros que, finda a sessão, e ao longo da semana, estranharam a omissão, leniência ou tolerância de V. Exa.
Houve até companheiros que me externaram a opinião de que eu deveria ter suspendido a minha palestra, já que ela fluía num ambiente toldado pela enxurrada de grasnidos a que já aludi. E não posso nem devo esconder que outros confrades, apreciadores das soluções surpreendentes ou belicosas que quebram a monotonia da vida e das instituições, me interpelaram, surpresos, desejosos de saber onde estava a minha alagoanidade, que não se manifestara.
A todos esses companheiros fiéis à tradição de urbanidade e conviviabilidade desta Academia, onde estou há 25 anos, expliquei o ter lido o meu texto até o fim.
Deus, em sua infinita generosidade, assegurou-me, aos 87 anos, o timbre de voz de minha juventude. Não pertenço à raça dos velhos trôpegos que, com voz de falsete, emitem arrulhos indecorosos em ocasiões em que a decência reclama o ritual do silêncio. Mas a razão decisiva que me levou a não suspender a minha palestra é outra. Além de ter mantido em mim a voz de minha juventude, Deus me aquinhoou com o sentimento da misericórdia -que é a compaixão suscitada pela miséria alheia - e da piedade, que é dó e comiseração.
Confesso, Sr. Presidente, que me confrange o coração assistir ao penoso espetáculo dos que, alcançada a velhice, ostentam em seu trajeto os sinais indeléveis e quase póstumos da decadência física, mental e moral aceleradas, e mesmo amparados por bengalas astutas rastejam nos salões, corredores e auditórios tão lastimosamente, com os olhos mortiços fixados no chão, como se temessem resvalar em uma cova aberta.
Há velhos que não sabem envelhecer e, desprovidos da alegria e do amor à vida, e do emblema do convívio, destilam ódio, inveja e despeito, porejam calúnias e intrigas, bebem o fel do ostracismo e da obscuridade.
Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares.
Esses velhos enganosos e enganados, o padre Manuel Bernardes os estampilha de "tintureiros de si mesmo".
No episódio em pauta, o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora.
Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano, mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações.
Encerro esta palesta com um verso de Lucrécio:
"É doce envelhecer de alma honesta".
Deus guarde V. Exa., Senhor Presidente, e os demais integrantes desta Casa.
Tenho dito


Precedido por
Orígenes Lessa
Lorbeerkranz.png ABL - quinto acadêmico da cadeira 10
1986 — atualidade
Sucedido por
Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Wikipedia

Resultados da pesquisa

Seguidores

VIDE - OS

Loading...