domingo, 13 de março de 2011

Messianismo

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O messianismo é, em termos restritos, a crença divina - ou no retorno - de um enviado divino libertador, um messias [mashiah em hebraico, christós em grego], com poderes e atribuições que aplicará ao cumprimento da causa de um povo ou um grupo oprimido. Há entretanto um uso mais amplo - e às vezes indevido - do termo para caracterizar movimentos ou atitudes movidas por um sentimento de "eleição" ou "chamado" para o cumprimento de uma tarefa "sagrada".

As tendências messiânicas são visíveis em certos fenômenos nacionais, como o Sebastianismo em Portugal ou o Ciclo Arturiano com origem na Bretanha. Em Portugal, pode-se considerar mesmo a obra "O Quinto Império" do Padre António Vieira de um teor messiânico que se encontrará também, transfigurado, na "Mensagem" de Fernando Pessoa, onde conceitos filosóficos, como o do Super-Homem hegeliano, se misturam com elementos do ocultismo e da idéia de destino ou fado, também próprio da identidade cultural portuguesa.

Índice

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[editar] Origem do Messianismo

O profeta Isaías é um dos primeiros a proclamar a idéia de um Messias, embora esta idéia já se encontrasse na Pérsia entre os zoroastristas. Ele antecipou a ameaça babilônica no horizonte do povo judeu - A Captividade Babilônica.

Na historia do Brasil, o termo messianismo é usado para dar nome aos movimentos sociais nos quais milhares de sertanejos fundaram comunidades comandadas por um líder religioso.

[editar] Movimentos messiânicos

[editar] Borboletas Azuis

Fundado em Campina Grande pelo empresário Roldão Mangueira de Figueiredo, os Borboletas Azuis passaram a se identificar com os atos messiânicos em 1977, ano em que se apresentaram vestidos de um timão azul e branco impecável.

Roldão pregava que o mundo seria destruído por um dilúvio na década de 80. Houve uma dramática redução do número de fiéis depois do fiasco do dilúvio anunciado, o número de seguidores passou de aproximadamente 700 para somente 67 pessoas.

Os Borboletas Azuis são um marco histórico na Paraíba.

[editar] Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Surgiu no Crato, interior do Ceará, sob a liderança do beato José Lourenço.

Consistia numa comunidade igualitária onde todos os habitantes tinham direitos e deveres iguais. Tal ideal não agradava o governo estadual e os fazendeiros da região.

O Caldeirão era protegido pelo Padre Cícero, que inclusive ajudou beato José Lourenço a arrendar o terreno. Após a morte do sacerdote, governo e fazendeiros se aproveitaram para destruir a comunidade.

[editar] Canudos

Ocorreu no sertão baiano no século XIX. O líder Antônio Conselheiro defendia a volta da monarquia e classificava o republicanismo como uma manifestação contra a Cristandade.

Como a fama do movimento começou a se espalhar pelo país, os governos estadual e federal se uniram para destruí-lo. Em 1897, Canudos foi completamente destruída.

Sem dúvida foi o maior movimento messiânico ocorrido no Brasil.

[editar] Contestado

Surgido em 1912 na divisa dos estados de Santa Catarina e Paraná, era um movimento liderado por monges que defendiam a volta do Império (um fazendeiro da região chegou a ser nomeado imperador do Brasil por um dos monges).

Em 1916 a comunidade foi destruída pelo exército brasileiro.

[editar] Muckers

Em 1868 começa o movimento messiânico dos Muckers, em Sapiranga, Rio Grande do Sul, liderado por Jacobina Mentz Maurer. Em 1874, depois de três ataques do Exército Brasileiro e da Guarda Nacional, são finalmente afogados em um banho de sangue, vencida a sua resistência. É sabido que alguns dos remanescentes desse movimento participaram de Canudos.

[editar] Monges do Pinheirinho

Surgido em 1902 na região da cidade de Encantado, Rio Grande do Sul. Tratava-se de uma seita religiosa semelhante à dos Muckers de Sapiranga, mas suportada majoritariamente por caboclos em confronto com os imigrantes italianos há poucos anos ali residentes e as forças de segurança do Estado. O movimento messiânico teve o mesmo destino trágico dos Muckers, seus integrantes foram massacrados pela Brigada Militar. É sabido que remanescentes deste movimento participaram do Contestado havendo inclusive menção do Monge João Maria no movimento, entretanto é discutível se tratava-se da mesma pessoal, já que tal identidade era comumente invocada por inúmeros líderes de movimentos similares.

[editar] Monges Barbudos

Movimento messiânico ocorrido entre os anos de 1935 e 1938, em Soledade, interior do Rio Grande do Sul. O ponto máximo do conflito aconteceu no dia 14 de abril de 1938, uma sexta-feira santa, na capela Santa Catarina, no então sexto distrito de Soledade nomeado Bela Vista. Ocorreu o confronto entre os seguidores monge e soldados da Brigada Militar, esta última com apoio de moradores locais contrários ao movimento. Várias pessoas foram presas e outras ficaram feridas. O líder do movimento, André Ferreira França (apelidado Deca) não estava presente devido as perseguições. O segundo líder do movimento, Anastácio Desidério Fiúza (chamado Tácio), foi baleado, ferimento que o levou à morte em 15 de abril de 1938. Pouco tempo depois, também Deca acabou sendo morto. Os membros do movimento ficaram impedidos de se reunirem e praticarem sua religiosidade. Neste movimento também há menção à figura do Monge João Maria, que teria pernoitado durante meses na casa de Deca, ensinando procedimentos de cura com plantas medicinais, orações e ritos diversos e lhe incumbido de organizar a seita na região.

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